Hoje depois de mais uma vez
pensar e me questionar em porque tenho sempre sonhos tão parecidos com meu pai,
o último foi como se fosse a junção de todos eles. São sonhos bons e que eu
queria muito que se tornassem reais. Em uma conversa com uma colega daqui ela
me disse que está esquecendo-se da voz e do rosto do pai dela que morreu há 11
anos. Tenho esse medo também, principalmente porque prefiro não pensar tanto
pra não sofrer tanto. Sinto-me culpada algumas vezes por deixar de lado
lembranças suas, mas isso é só uma maneira de autoproteção. Fazia dias que eu
não chorava sentindo tua falta. Mas toda essa história da minha família e o
sonho que tive ontem com você, as lágrimas foram inevitáveis. Choro de saudade
do teu colo, teu carinho, mimo (e como foi mimada ne?) por esse pai coruja.
Hoje senti o cheiro de um sabonete e lembrei-me de você. Porque era um dos teus
favoritos. Foi como sentir o teu cheiro na casa depois que você saia do banho.
Ah como eu queria que meus sonhos fossem reais. Que eu ainda ti tivesse aqui comigo.
Vez ou outra imagino como seria a nossa vida se você ainda tivesse aqui. Sei
que provavelmente estaria em outro lugar ou talvez não ne? Isso eu nunca
saberei.
E com tudo isso, hoje eu tive
vontade de conversar com um amigo com quem sempre desabafei nesses momentos,
ele sabe me ouvir e me compreender nesse assunto melhor do que ninguém. Foi ele
quem esteve presente pra me abraçar quando o choro vinha inevitavelmente e ele
sempre me dizia pra lembrar do que foi bom, das coisas boas que dividimos. Mas
infelizmente não estamos mais tão próximos. E não me sinto no direito de
começar uma conversa por WhatsApp e já começar a desabafar. Então lembrei que
aqui consigo falar e falar. E enquanto escrevo deixo minhas lagrimas rolarem em
meu rosto, permito-me colocar um pouco dessa angustia, do medo do esquecimento
e saudade pra fora de mim, mesmo que assim em pequenas doses. Porque
sinceramente, me considero bem frágil em algumas coisas. E perder você é algo
que me despedaçou por dentro mesmo que por fora eu pareça intacta.
Percebi que de tempos em tempos
preciso desses momentos, desse alívio. Sempre foi assim, desde aquele outubro
de 2011. Na maior parte do tempo sou forte, até pela correria imposta no dia a
dia. Mas em momentos como o de agora, me sinto pequenininha e sozinha, desejando
apenas ouvir, que tem alguém comigo e que posso contar com ele.

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