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domingo, 22 de janeiro de 2017

Sobre morar só

Morar sozinha é de uma independência que só quem passa ou já passou por essa situação consegue entender. Significa lavar a louça na hora que quiser, arrumar a casa ou não (mesmo que ela esteja de pernas para o ar), sair e chegar sem ter que dizer nada a ninguém... mas é também descobrir que as roupas não ficam limpas sozinhas, que quando toda a louça está suja, você precisa lavar o copo para beber água, que no seu dia de folga é melhor aproveitar para arrumar e deixar a casa em ordem e pagar as contas em dias.  
Morar sozinha é poder receber seus amigos e deixar eles entrarem da varanda ao quarto. É saber que mesmo que não queiramos estamos crescendo e amadurecendo. E é também, em alguns momentos chorar de tanta saudade da família, e principalmente da mãe que é quem faz tudo pela gente! Hoje eu moro só e amo essa independência. Mas se pudesse escolher, eu preferiria que minha mãe morasse na mesma cidade que eu, para que eu pudesse passar no final do dia ou no final de semana pra tomar aquele cafezinho da tarde com biscoito e para saber como andam as coisas! De alguém, que mora longe de casa há 7 anos e mesmo assim, ainda carrega uma bagagem chamada saudade, porque essa não tem idade, local e nem tão pouco pede licença pra invadir a sua vida.

Férias

Quando finalmente o dia da viagem chegou eu não acreditava e não cabia em mim de tanta felicidade! Mas sim, ele chegou! Entrei no avião e sabia que estava iniciando um dos meses mais esperados do ano (depois de janeiro, que foi quando fiz todo o processo seletivo da residência e de setembro que é meu mês predileto -aniversário hahaha). 
Nos dias que antecederam o dia 30/10 (dia de outubro) eu me cansei fisicamente e emocionalmente ao máximo! Mudei de apartamento, fiz plantões extras pra pagar o meu número a mais de dias de férias e já estava exausta da pressão e cobrança bestas dos supervisores. Mas enfim, eu estava indo ao meu primeiro destino das férias... Natal! Essa capital linda, com tamanho e correria do jeito que eu gosto (diferente das grandes capitais), que me recebeu tão bem há 6 anos e que me fez chorar por deixar pessoas tão amadas no dia que parti com destino ao Norte. Voltar a Natal foi algo melhor do que pensei. Revi e sai com meus amigos, visitei a minha faculdade (que foi minha casa durante quase 5 anos), fui as praias mais lindas (e sim, peguei um belo bronze! Até porque aquele amarelo em minha cor já tava feio há um tempinho), aproveitei cada hora do dia e deixei pra descansar no próximo destino! 
O segundo lugar que passei foi pra rever minha família, descansar um pouco (ou melhor, descansar MUITO) e claro, pra curtir e babar muito a sobrinha mais linda que eu já tive (aliás, a única que tenho ...kkkk, mas que é a mais linda do universo). Ver o desenvolvimento, como ela cresceu e poder brincar com esse ser humaninho tão pequeno, tão linda, tão séria e com sorriso mais lindo, foi de encher mais ainda meu coração de amor por ela. Nessa segunda parte do roteiro, aproveitei para conhecer a cidade que até então não conhecia, peguei o carro do meu irmão e (às vezes de alguns amigos dele) pra rodar a cidade (digo, o shopping principalmente) e sair um pouco, já que essa parte 2 das férias foi algo mais caseiro e família. Nessa parte eu consegui fazer a parte 2.5 que não estava programada, mas que foi de ir a minha antiga cidade (Iguatu), pra rever amigas e família do meu antigo pastor e pai na fé! Foi algo que não programei de certeza antes de iniciar as férias, mas também foi algo que deu muito certo!  
Nesse tempo, eu até marquei de encontrar com aquela pessoa que um dia fez meu coração ter taquicardia, que me olhava com um olhar que diziam palavras (e que passou do posto de amor, pra amigo) mas por falta de organização, ou melhor, o destino não quis que nos reencontrássemos agora, até porque a ferida (de um amor que não foi possível viver) fechou a tão pouco tempo, e ainda precisa cicatrizar completamente. Depois da parte 2.5 voltei a cidade d minha família e voei junto com minha mãe para parte 3 das férias para conhecer a loucura da grande São Paulo! 

Confesso que nunca tive vontade de ir, só por ouvir relatos do dia-a-dia e por ver reportagens na TV falando sobre toda a agitação que é essa cidade. Mas já estava devendo uma visita a umas tias e por isso resolvi cumprir logo! E que bom que fiz isso. Me surpreendi com a cidade. Não sei foi porque só fui a passeio e por ser apenas uma semana. Mas o fato é que eu gostei muito. Adorei a praticidade do transporte público de lá (metro e trem - exceto o preço das passagens, 3,80 - como assim? Que crise é essa nesse país?) pra não ter que passar tanto por ônibus, até porque me pego imaginando, se o trânsito de lá já é lento pela quantidade de pessoas que moram lá e tem transporte particular, imagine se não tivesse metro e trem (impossível mesmo!). O bom é que sai de lá quase uma paulista (não que algum dia isso tenha sido um desejo meu) já que consegui aprender como andar sozinha de metrô e trem (muito fácil!!! É só olhar os mapas nas estações hahaha) e porque conheci grande parte dos pontos turísticos clássicos da cidade: 25 de março (muita gente na rua e muita loja de
Bijus), Igreja e praça da Sé (que igreja linda!!!), bairro da Liberdade (me senti no Japão, com tanto japonês nas ruas), Mercado Público (adorei a forma de empilhar as frutas, fica muito mais organizado e bonito), avenida paulista (andei um monte a pé, só pra ver um monte de prédio, mas é tipo de tour paulista hahaha -conhecer a avenida mais famosa do país). Sem contar que fora essa parte turística, revi duas grandes amigas, minha família materna e meu primo querido cujo sobrenome é Valter - ele quem foi meu guia durante um dia inteiro, andando de um lado pra o outro da cidade! Muito obrigada primo). E gente, depois de tudo isso, Ainda consegui pegar um friozinho tão bom (12-14 graus), quase congelante pra quem tá acostumada a 35-48 graus kkkk. 

Depois da parte 3, o destino era a vida e a rotina real! E cá estou estou, depois de uma semana longe desse estado, me readaptando a essa rotina, a essa cultura e a minha nova casa (lembram que mudei uma semana antes das férias? Nem consegui curtir a casa hahaha). O sentimento hoje é de felicidade por um mês e uma semana cheia de alegrias, de reencontros, de abraços, de muita caminhada na rua pra conhecer lugares novos. E o desejo é este: que eu continue leve pra mais uma temporada de residência ate as próximas férias (é que elas sejam tão boas ou superem as deste ano) resta só saber quais os próximos destino.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Atraso, Chuva e Táxi

Eram quase 18:20h (horário local), eu já estava pronta e nada de saber onde meu querido irmão estava – ele é meu motorista. Teria que chegar as 18:3h na casa de minha amiga para irmos ao curso do preparatório de um processo seletivo que estou fazendo. Não suporto atrasos, então decidi ir de mototáxi pra tentar chegar o menos atrasada possível. Saí de casa em direção ao ponto de mototáxi, que é na outra esquina e de repente senti pingos em meu braço. Isso mesmo! Numa noite de atrasos, começou a chover. Consegui voltar pra casa antes da chuva começar forte. Aí meu estresse já estava nas alturas, sem saber o que fazer.
Táxi. É isso! Vou chamar um táxi. Mas não tenho nenhum número de taxista e como meu celular não estava funcionando e estava usando o de minha mãe temporariamente, ele não tem o aplicativo de chamar táxi. Pedi a minha amiga algum número e o que ela me deu não funcionava. Pesquisei na internet e finalmente consegui chamar um. O atendente me falou que ele chegaria em 7 minutos, e 8 minutos depois eu já estava discando o número pra ligar novamente, quando o táxi chegou. Sabe aquelas cenas que está chovendo forte, você com um guarda chuva e entra num táxi? Senti-me numa dessas, não pelo táxi, mas porque literalmente me joguei no banco de trás tentando me molhar o mínimo possível. Ok. Já estou dentro do táxi. Quando falo o destino, o taxista imediatamente diz: “ok nordestina”. Ri automaticamente e ele me falou que o sotaque é bem forte. Percebi que eu tinha colocado muito sotaque mesmo sem perceber, involuntariamente. O trajeto foi bem curto, mas ele me contou praticamente boa parte da vida dele, disse que quando chegou a esta cidade foi acolhido por um casal de nordestinos (mas precisamente, paraibanos – Ah João Pessoa linda, que tenho saudade e ainda quero conhecer muito).

Aproveitei para perguntar sobre o bairro que moro. Sabe aquela impressão que falei logo quando cheguei aqui, que parecia que morava numa favela, mas que depois eu comecei a gostar por ter tudo perto. Nunca tinha perguntado a alguém como esse bairro era visto pelos demais moradores da cidade. Descobri que realmente esse bairro não é classe média (isso já tava na cara), muito menos classe média alta, mas que possui o custo benefício por ter tudo tão perto, por ter um centro comercial de bairro (que não é o centro da cidade) onde dá pra resolver praticamente tudo e também porque é um lugar perto do centro (isso quando você vai de carro ne? Porque de ônibus é uma viagem que dura praticamente mais de 1 hora). Falando em ônibus, não lembro se já comentei, mas os motoristas de ônibus daqui parecem que estão dirigindo um foguete (literalmente). E mesmo assim, os trajetos são bem longos, tanto pelo trânsito quanto pelas voltas e mais voltas que ele tem que dá. Voltando ao táxi, finalmente consegui chegar à casa de minha amiga com pouco atraso e chegamos no horário para a aula do preparatório. 

sábado, 26 de dezembro de 2015

Presentes de Natal

Hoje acordei e apesar de ser Natal, achei que seria mais um dia comum, já que aqui em casa (não na casa física), mas na minha família nunca foi de ter festa nessa ou em qualquer outra época. Nunca fomos de trocar presentes, nem mesmo em dias de aniversário (e sinceramente acho isso bastante estranho, mas acho que sou acomodada e quase sempre deixo passar sem fazer muita coisa pra mudar isso). A questão é que hoje ao entrar na cozinha pra tomar o café da manhã fui surpreendida com um "feliz natal" do meu irmão. Sim, ele mesmo! Que raramente sequer troca abraços comigo (na verdade não lembro de nenhum abraço), que raras vezes me parabenizou por meu aniversário, não porque não goste de mim (porque sei que ele gosta), mas por não ser típico do jeito dele. Desejei também "feliz natal" com aquela brincadeira de bater as mãos abertas uma na outra e depois com elas fechadas. 
Ao final da tarde saímos para passear e mais uma vez ele me surpreendeu, querendo tirar fotos. Quem o conhece, ou melhor, quem o conhecia sabe que ele nunca gostou de fotos e é por isso que há alguns dias atrás eu não tinha sequer uma foto dele no meu celular pra mostrar as pessoas quando digo que ele é fisicamente o oposto de mim. Hoje já tenho algumas fotos com ele. 
Mas, a maior surpresa foi quando eu estava sentada vendo TV no quarto dele e ele pediu pra que eu fizesse cafuné nele. Oi? Ele deitou, fiz o cafuné durante alguns minutos e pouco depois ele adormeceu. Depois que sai do quarto foi inevitável não lembrar do meu pai. Ele sempre me pedia pra fazer cafuné nele, pra adormecer assim. E sempre dizia: "esse cafuné vai sair caro né nega?". Lembrar disso não me deixou triste, mas feliz por saber que ainda consigo lembrar de coisas que vivi com ele. E espero que o tempo seja generoso o suficiente pra não me deixar esquecer de lembranças tão boas.
Então foi esse o meu Natal. Apesar da ausência de presentes físicos, acho que ganhei dois que valeram bem mais.  Uma lembrança de meu pai e a aproximação com meu irmão. 

domingo, 8 de novembro de 2015

Comendo Sushi

Estava sentindo uma vontade louca de comer Sushi. Quem me conhece sabe que sempre falo que Sushi é igual a açaí. O seu organismo, ou melhor, o nosso paladar não está adaptado a comer coisas tão diferentes, então devemos dá a ele a oportunidade de provar e não só de experimentar uma única vez, mas sim de permitir o tempo necessário para se adaptar a sabores tão diferentes do que estamos acostumados no dia a dia, mas tão saborosos e deliciosos. Como a maioria das pessoas que conheço, também não gostei de nenhum dos dois de cara. Tive que comer 2 a 3 vezes para gostar e depois daí me apaixonar por esse sabor característico e meio exótico (hahaha esse termo é legal). Então com esse desejo avassalador de comer Sushi depois de meses de abstinência, sem previsão de comer, já que não vende perto de minha casa e ninguém iria me acompanhar porque não gostam (não sabem o que perdem), fiquei desejando e comecei a seguir os IGs de todas os restaurantes de Sushi da cidade.
Então, numa noite dessas fomos a feira e lá próximo tinha um restaurante japonês. Meus olhos brilharam literalmente. Gosto demais do clima desses restaurantes. Mas infelizmente tive que pedir pra viagem e não tive tempo para desfrutar desse ambiente aconchegante que tanto gosto.  A primeira coisa que me surpreendeu foi o preço, claro que como tudo nessa cidade, não seria o Sushi que seria diferente. Então sim, ele foi bem caro, mas além disso não estava tão bem feito esteticamente como eu estava acostumada a comer. Já provei Sushi em Natal e duas cidades cearenses. Em Natal o preço é mais acessível e a estética é melhor, já nas cidades do Ceará as duas ganham pelo preço justo e pela estética. Então entre os 3 estados que já comi, o Ceará ganha em primeiro lugar. Em todos eu gostei do sabor, acho que só conseguiria saber qual o melhor sabor se provasse todos num único momento e isso é impossível ne? Mas mesmo com alguns prós, com certeza irei comer muito Sushi por aqui ainda, melhor ainda se for acompanhada.   

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Chegue Logo

Quando senti o vento, a brisa do mar tocando meu corpo, eu só desejei que você chegasse daquele jeito, suave, devagarzinho por trás de mim e me abraçasse, me envolvendo em teus braços. Que deixasse minha cabeça repousar sobre seu peito. Fechei o olho e senti por um minuto essa sensação. Esperei por você. Desejei tua chegada ali naquela noite fria. Olhei pra os lados procurando por você, imaginando teu rosto entre tantas pessoas que estavam ali naquele calçadão. Procurei e só depois de um tempo percebi que não sabia a quem eu estava procurando. Porque ainda não conheço o teu rosto, não sei qual a tua altura, nem a cor da tua pele. E não saber isso, não saber teu nome, não saber quando você chegará está me matando de ansiedade, de curiosidade. Quero logo sentir a segurança do teu abraço, o gosto do teu beijo em minha boca. Quero sentir teus olhos me olhando, ver o teu sorriso, sentir as tuas mãos se entrelaçarem nas minhas. Quero saber de tudo sobre você. Saber dos teus gostos, dos filmes, comidas e lugares preferidos. Quero ouvir sobre as viagens que já fez. Quero que conte os lugares. Quero saber coisas sobre sua vida. Quero conhecer você. Então, se posso ti pedir algo, não demore tanto a chegar porque eu já estou aqui, te esperando.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Casamento? Sim ou Não?

Meu único relacionamento duradouro foi um namoro de quatro anos e meio. Ele foi um pouco complicado e bom ao mesmo tempo. Foi cheio de muito amor e cuidado, com muitos km de distância no meio e muita saudade na maior parte dos dias. Gostei, amei, sonhei, fiz planos, vivi de fato. Planejamos casar e quem me conhece sabe que sou uma menina boba que sonha em casamento (tem fases que quero uma festa linda e grande, em outros quero algo bem simples), mas tem fases como a que estou atualmente que penso mesmo se quero casar de verdade. Adoro minha liberdade de solteira (não de ficar com qualquer cara, até porque isso não é nada parecido com meu estilo), mas a liberdade de fazer o que quero e quando quero. De sair, de viajar sozinha ou com amigos. E sei que isso é totalmente modificado quando você casa. Claro que muitas das coisas podem ser realizadas com o seu cônjuge, mas não é a mesma coisa de quando se está solteira viajando aberta a qualquer possibilidade que uma aventura de viagem pode oferecer.

E todo esse pensamento veio porque esses dias eu presenciei uma mulher que perdeu sua aliança ao tirá-la para lavar as mãos no seu ambiente de trabalho. Ela tirou-a e esqueceu-se de colocá-la. Poucos minutos depois percebeu e quando voltou para o local a aliança já não estava mais lá. No outro dia em que a encontrei ouvi-a falando de como o seu casamento estava em crise. Seu marido não acreditou que ela perdeu a aliança no trabalho, pediu provas, dormiu no quarto de hóspedes e ainda pediu a separação. Gente, isso é serio? Pergunto-me porque uma mulher jovem e bonita casou com alguém que não confia nela. Não tenho essa intimidade com ela pra perguntar algo desse tipo ou mesmo pra saber a história do relacionamento deles. Mas, nisso fiquei pensando, que se for pra eu está com a alguém que não confie em meus sentimentos ou na minha palavra, eu sinceramente prefiro não estar. Acho que em um relacionamento é necessário confiança acima de qualquer coisa. Porque se não existe confiança em quem está ao seu lado, as coisas não fluem e o relacionamento fica pesado demais.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sotaque, gírias e açaí

Mudar de estado já tem lá suas mudanças regionais, suas peculiaridades, imagine então, mudar de região. Lembro que quando mudei para Natal, os meus amigos sempre falavam do meu chiado. Implicavam porque falo “Thxiago”, “Dxiga” “dxiferentxe”, entre tantas outras palavras que chio tanto. Sempre quando voltava das férias, depois de um mês no Ceará, meu sotaque voltava carregado. E aos pouco ia cedendo e dando lugar novamente ao sotaque e à algumas palavras potiguares.
No Ceará a expressão usada para se dirigir informalmente a uma amiga é “e aí mulher?” (isso pra mulheres, pra homem não me recordo), no RN é “ e aí boe”, já aqui no Norte, tudo, absolutamente tudo é “e aí mano (a) ou maninho (a)”. Confesso que por não ser adaptada a escutar no início achei bem engraçado. Mas aos poucos estou me adaptando, a ouvir, não a falar (acho que vou demorar um pouco a pegar essa expressão). E eles também chiam um pouco, então nem da pra perceber tanto o meu sotaque cearense. 
As comidas daqui são bem diferentes das do Nordeste. Aqui praticamente tudo eles comem com farinha branca. Não tenho muito contato com a comida daqui, porque em casa a comida é estilo cearense e praticamente não comemos fora porque minha família não aprova em nada a culinária local. Apesar de não aprovar algumas coisas, sou do tipo disposta a provar tudo, desde que a aparência não seja tão ruim. Ainda não comi quase nada regional, ou típico daqui. Apenas o açaí.
Quem me conhece um pouquinho sabe como amo açaí. Então logo nos primeiros dias que cheguei aqui minha mãe comprou 1L de açaí. Mas infelizmente ele era líquido e não ficou de modo algum na consistência de sorvete que era a única forma que eu estava adaptada a tomar, então foi o jeito improvisar e fazer vitamina de açaí no estilo natalense (com leite condensado, farinha láctea, leite em pó e um pouco de leite) e ficou aprovada. Depois de uns dias fui tomar açaí na tigela. Todo mundo ouviu o nome tigela ne? Então pensei que a consistência fosse de sorvete, quando na verdade a consistência é mais para milkshake. Não vem com leite condensado, nem com banana. Os acompanhamentos são: açúcar, granola e farinha de mandioca. Estranhei muito a consistência. Prefiro o que tem uma consistência mais grossa. Lembro que não é apenas esse o diferencial do açaí. Outro fator destoante é o preço. Considerando que aqui é a terra do açaí, sempre achei que fosse algo bem mais acessível, em conta, barato. Mas pelo contrario. Aqui você toma 250mL pelo mesmo valor que toma 1L de açaí em Natal. É isso mesmo. Sem exageros.

Então embora eu tenha cansado de ouvir (ouvi muito mesmo!) que aqui é terra para se ganhar dinheiro, também já percebi que é a terra para se gastar o dinheiro que você ganha. Não descobri ainda qual a vantagem de ganhar tanto, mas também de gastar muito mais que se gastaria em outro lugar. Mas ainda vou tentar entender esse cálculo. Se é que existe algum entendimento pra isso. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Indo à Biblioteca

               Já havia decidido que segunda começaria a estudar numa biblioteca aqui da cidade. Pesquisei e decidi que a da universidade estadual era a melhor por ser um pouco (nem tanto) mais próxima de minha casa. Olhei no Moovit (um ótimo aplicativo de localização) qual ônibus deveria pegar e qual a rota deste. Na segunda à tarde cheguei mais cedo da academia para ir p à biblioteca. No entanto, ao começar a rever o mapa fiquei muito confusa com tantas ruas, já que eu tinha que andar um pouco a pé até chegar a uma parada que o ônibus que eu ia pegar passasse. Pelo avançar da hora decidi deixar a aventura para a terça pela manhã.
               Acordei bem cedo, fiz meu ritual de ficar na cama mais alguns minutos após acordar para que meu corpo finalmente entendesse que já era hora de está alerta. Sempre estudei pela manhã, mas isso não significa que sou adaptada a acordar cedo, pelo contrário, quem me conhece sabe que sou uma dorminhoca sem igual. Mas o fato é que apreendo melhor se estudar pela manhã e também aproveito o resto do dia e de quebra ainda tenho sono cedo pra dormir cedo e acordar cedo novamente.
               Pois bem, acordei, me arrumei e quando fui tomar café percebi a chuva que estava caindo e o céu de um cinza bem escuro. Ah, meus planos foram por água a baixo junto com a água que escorria pelas ruas. Mas não desisti. Deitei um pouco pra esperar e pouco tempo depois a chuva passou. Embora o céu ainda permanecesse escuro. Peguei o guarda chuva e fui para a parada de ônibus. Com a ajuda do aplicativo (olhei para ele a cada rua que o ônibus entrou) consegui chegar ao destino certo. Entrei na biblioteca e ops... Adivinhe? A biblioteca está sem internet e eu preciso fazer um cadastro (que precisa da internet) para poder ter acesso aos livros. Depois de uma hora de espera, o sistema voltou, mas para minha sorte lá não tinha nenhum dos livros que eu precisava para estudar.
               Realmente parece um complô ne? Porque eu estou bem mal acostumada a ficar em casa, dormir a manhã inteira, assistir TV, ficar na internet, comer, fazer tudo que eu gosto. Ai quando decido que preciso mudar e que preciso ter uma rotina de estudos, acontece  essas coisas. Mas valeu a experiência de andar de ônibus (pra quem não está acostumada com uma cidade nova, cada ônibus pego é uma oportunidade de conhecer mais um pouco da  cidade) e vamos a próxima biblioteca ne?


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Sobre o primeiro dia no Sup

Quem me conhece sabe que gosto de provar quase tudo, mesmo que eu tenha a sensação de que não irei gostar. Mas preciso provar pra poder dizer a alguém quando for questionada se é bom ou ruim, mas principalmente pra falar que é uma das coisas que embora não seja uma das melhores do mundo, merece ser provada ou ser feita.
Foi assim quando comi acarajé pela primeira e única vez na vida. Nem foi na Bahia (infelizmente ainda não pisei em solo baiano), mas quando vi uma plaquinha com o nome acarajé numa praia do litoral potiguar, minha curiosidade falou alto e eu quis provar dessa iguaria. Na época eu estava acompanhada de umas amigas (As Coisinhas) e apenas uma delas já havia experimentado. Questionei se era bom e ela apenas disse ser algo que valeria a pena comer, para depois opinarmos. Então decidi comprar, provei e graças a Deus que compramos apenas um para dividirmos com todas, porque a pimenta é bem forte (embora eu tenha dito que queria o menos apimentado possível) e o sabor bem diferente. Não achei ruim, mas também não me apaixonei pelo sabor. Talvez seja semelhante a sushi ou mesmo ao açaí, já que também não gostei de nenhum dos dois a primeira vista, mas após a primeira impressão, me apaixonei completamente pelo sabor desses dois itens, que hoje com toda a certeza estão no topo das minhas preferências de comida. No entanto não tenho vontade de comer acarajé novamente (possa ser que se eu for morar la pela Bahia um dia, eu mude essa ideia), mas é algo que não me arrependi de ter experimentado porque gosto de poder ter opinião.
O mesmo acontece também em outras áreas de minha vida. Gosto de viver coisas novas e desafiadoras. E foi nesse intuito que 5 dias após chegar a esta cidade, que eu aceitei e topei fazer um Sup nas águas do rio Solimões. Não, eu nunca tinha sequer visto alguém fazer isso. Aceitei e amei a experiência. É óbvio que ao ouvir o instrutor falando sobre as posições na prancha eu tive vontade de desistir, mas graças a Deus não o fiz. Ao subir na prancha e ver que eu estava no meio de tanta água sem ninguém ali do lado (na mesma prancha) para me socorrer caso necessário (já que não sei nadar) me apavorou um pouco (apesar de está com colete salva-vidas e presa a prancha que obviamente flutua e não me deixaria afundar caso caísse na água), mas aos poucos fui me soltando até conseguir ficar em pé. (SIM!! Eu fiquei em pé. Haha). Até tirei o colete e consegui mergulhar, ainda presa a prancha e segurando nas pernas do instrutor (só quem não sabe nadar entende esses medos loucos). Apesar de cansar bastante e ter ficado toda quebrada no outro dia (quem manda ter vida sedentária), foi ótimo a experiência do Sup e com toda certeza ele foi adicionado a minha lista de coisas boas para repetir na vida.
Ainda bem que consigo aproveitar, experimentar e viver coisas novas, mesmo que pareçam desafiadoras e dêem aquele friozinho na barriga. Mas se estou aqui em outro estado, estou para aprender coisas novas né? Estou super curiosa para experimentar tantas e tantas comidas que existem aqui e nunca tinha ouvido falar. Já estou esperando ansiosamente para provar Tacacá, tucumã, Mingau de banana, X-caboquinho (essas foram as que ouvi falar) e tantas outras comidas que ainda nem ouvi o nome.  

Conhecendo o Centro dessa Cidade

Gente eu nem acredito que depois de exatos 30 dias morando nessa cidade eu consegui pegar um ônibus e ir sozinha (apenas com minha mãe que também não conhece nada) ao centro dessa cidade. Hahaha. Pense numa emoção. Sempre fui independente pra andar de ônibus e até de metrô, então já estava passando da hora de pegar meu primeiro ônibus aqui e começar a descobrir o tanto de coisas que aqui existem e que preciso conhecer.
O destino foi o centro comercial. Na ida dentro do ônibus eu me senti uma criança olhando para os dois lados da rua e tentando decorar pontos de referência. Depois de não saber ao certo onde desceria, sabia que era num terminal, mas aqui existem milhares deles, seria o primeiro, o segundo ou o próximo? Particularmente não tenho problemas em pedir ajuda a alguém quando não conheço o local, mas prefiro fazer isso quando estou sozinha, me sinto mais a vontade. E está acompanhada de minha mãe me tirou um pouco dessa inciativa, coisa que ela também não tem em relação a esses assuntos. Então quando achei que era o terminal certo, apenas intuição, sem nenhuma certeza, decidi descer. Tivemos que voltar um pouco para encontrarmos as lojas que vendiam o que eu estava procurando. Perguntei a várias pessoas onde vendia e como eu poderia chegar. Algumas pessoas tinham mais paciência e explicavam detalhadamente ensinando rua a rua (já que eu não sabia o nome de nenhuma) como chegar aonde eu queria, outras nem tanto. Achamos o centro pouco movimentado para um dia de sábado e pouco comércio. Mas depois de andarmos e suarmos muito nesse calor (ôh lugar quente!) percebi que estávamos completamente erradas.
O centro é enorme, a sensação que tive foi que andamos em apenas um terço dele. É muito comércio, muita loja (muita mesmo), muitos Bancos e praticamente todo o centro é em prédio histórico, incluindo o Carrefour e as Lojas Americanas (nunca imaginei essas duas lojas em prédios históricos, haha). Alguém já entrou num Carrefour que é assim? Haha. É muito legal. Acho prédios históricos um charme, por mim tiraria fotos na frente dos que eu elegesse os mais bonitos, mas não o fiz por dois motivos. Primeiro, todas as pessoas me achariam meio doida, já que não vi ninguém com esse costume e segundo, que fiquei com medo de ficar sem celular, já que me falaram que aqui anda meio perigoso para assaltos desse tipo. Mas o fato é que gostei muito do centro apesar do calor indescritível.

A volta foi bem tranquila e deu tudo certo. E essa foi a minha primeira ida ao centro e minha primeira aventura de ónibus e sem ninguém pra me guiar numa das 10 maiores cidades do Brasil. É isso aí. Simbora conhecer essa cidade sozinha, já que o povo dessa casa prefere ficar no ar condicionado. 

Babando crianças

Numa noite dessas fiquei observando a beleza, o brilho e o encantamento que uma criança transmite. Criança é pureza, bondade. Ser criança é descobrir o novo a cada segundo de vida. É sorrir ao ver um rosto conhecido ou simplesmente ao jogar areia da praia ao vento. Essa foi à cena que tive o prazer de presenciar: Uma criança linda descobrindo o mundo de uma praia. Ver o seu sorriso quando corria para perto da água, quando se jogava na areia ou a jogava em si mesmo, foram momentos que prenderam minha atenção durante um bom tempo. E nisso me peguei pensando no dom de ser mãe. Sempre soube que quero sim exercer a função da maternidade, em um dia distante claro. Mas enquanto isso me contento com o presente que terei em breve: ser tia (um sonho que sempre achei que não seria realizado) e de cara já presumo que serei uma tia babona e que vai amar muito esse(a) sobrinho(a). Amo crianças e fico boba só de observá-las e poder vê-las desvendando o mundo a sua volta com toda a inocência e uma curiosidade insaciável. Amo o cheiro, a sinceridade, o sorriso e o abraço de uma criança e me desmonto inteira quando sinto aquela mãozinha tão pequena procurando por minha mão para segurar a dela, sinto como se pudesse transmitir segurança e é como se eu dissesse: não se preocupe eu estou aqui com você. Toda essa cena só me fez querer ainda mais ser tia e poder acompanhar de pertinho o crescimento de uma criança, com suas quedas e tombos, com o choro, e principalmente com os sorrisos que com certeza encherão não somente a casa, mas também a minha vida de alegria.

domingo, 4 de outubro de 2015

Matando um pouco a Saudade


Depois de um mês em terras do Norte, e há 9 meses que não vou ao meu Ceará, hoje tive o prazer de ter um pedacinho desse estado aqui, mesmo estando a quilômetros de distância dele. É que fui a um almoço só de cearense. Agora por falar em reunião de cearense, pense num povo animado e barulhento. Haha. Eis o motivo de eu falar tão alto! Além das pessoas serem cearenses, o cardápio também foi bem tradicional do nosso estado. Galinha caipira e fava que vieram diretamente do Ceará pra cá, com aquela farofa de cuscuz temperada e um arrozinho branco. Minha gente pense num tempero bom esse do povo nordestino e se for cearense então nem se fala. Vi as pessoas repetindo inúmeras vezes e algo que percebi também ser um costume de nossa terra foi à fartura de comida, como dizemos lá. Comida para todos comerem a vontade. Depois de todos estarem alimentados ainda teve a mais tradicional sobremesa. Alfinin (um dos produtos derivados da cana-de-açúcar, feito com mel bem grosso, o qual é puxado até ficar amarelo). Tem coisa mais gostosa nesse mundo? E o melhor de tudo, ainda era vivo (mole). Minha gente essa iguaria cearensês não tem igual. Amo de paixão. Desse jeito, o almoço foi completo. A sensação que tive foi de está em um daqueles almoços na casa da minha vizinha ou de alguém da família, onde todo mundo senta à mesa, come e conversa muito. Agradeço por ter um pouquinho do meu Ceará aqui.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Desapaixonar



Hoje foi um dos primeiros dias recordes. Consegui passar o dia sem dizer um  “oi” pra você. Eu sei que isso é paranoia da minha cabeça. Mas eu sou assim. Quando eu gosto eu me apego de verdade, fácil. Apesar de não ter dito nenhuma palavra, abri a janela da sua conversa inúmeras vezes durante o dia. Com vontade de ver um oi seu lá.  Deve ser esse meu tempo livre que me deixa assim. Querendo saber de cada minuto do seu dia. Quando na verdade eu queria mesmo era ti encontrar no final do dia com aquele teu cheiro e sorriso que só você tem e passar a noite inteira com você até a madrugada chegar. É não tem jeito. Tenho que assumir que me apaixonei por você. Sei que isso não poderia ter acontecido. Que entrei nessa historia já sabendo que o fim era algo bem mais certo do que o começo. Mas fazer o que? Se sou uma garota que se apaixona fácil e que não conseguiu resistir ao teu riso bobo, teu abraço acolhedor e tua voz linda *--*. Sei que tenho que me desapaixonar pra não sofrer tanto, mas ainda não consegui essa receita mágica. Enquanto isso, sigo gostando de você, do teu jeito sincero e doce, desejando ardentemente sentir teus lábios e o teu corpo junto ao meu. Até que eu me apaixone novamente e seja correspondida e tomara que a próxima dure um pouco mais.

domingo, 20 de setembro de 2015

Desventuras no Norte #1

Hoje a expectativa era para conhecer o tão comentado Balneário Quixito. Meu irmão pegou o carro e lá fomos nós, rumo ao balneário para almoçarmos e quem sabe até tomar banho. Após andarmos um pouco ele percebeu que não sabia o caminho, apesar de já ter ido duas vezes, mas sempre foi com alguém que conhecesse bem o caminho, já que o local é literalmente dentro da mata. Se bem que aqui tem mata em praticamente todo lugar, então um balneário não seria diferente. Sem saber como chegar lá, que tal usarmos o GPS? Isso! Esse aplicativo que nos ajuda a chegar em qualquer lugar. É pra isso que se tem GPS no carro e até no celular. Mas, como sempre meu irmão não quis. Gente teimosa e cabeça dura é osso viu? Tá, então vamos almoçar aonde? Em um restaurante, conhecido pela picanha que servem e que foi indicado por uma amiga aqui da cidade.
Restaurante grande, com dois ambientes (um com ar condicionado e o outro sem) e claro que o com ar condicionado já estava lotado já que era 13h de um domingo. Assim que sentamos fomos muito bem atendidos. Os garçons iam e vinham a todo tempo com todo tipo de entrada, coquetéis e saladas. O cardápio chegou e meu irmão não teve dúvidas que pediria uma picanha, já que lá era o restaurante da picanha (o garçom apenas sugeriu a quantidade de carne para as 4 pessoas que estavam a mesa). Os acompanhamentos chegaram em tempo recorde. Certo, nunca vi um atendimento tão bom e tão rápido. Apesar do arroz ter vindo com brócolis, a comida estava boa e ponto positivo para farinha que era fina (aqui o povo adora uma farinha que mais parece milho de tão grande e dura). Faltava apenas a picanha chegar.
E pouco tempo depois a esperada picanha chegou. Calma! Essa picanha é diferente. Parece mal passada. Particularmente três das quatro pessoas que estavam a mesa não gostam de carne mal passada. Até meu irmão que era o único que gosta, pediu para que deixassem ela um pouco mais no ponto. Alguns minutos depois e lá vem outra picanha. Quase igual. Há algo diferente nessa picanha, ela não é igual a outras que vi ou comi. Meu irmão provou  e estava fria, eu provei e quase vomitei, mas consegui engolir. Que gosto era aquele? Cancela essa picanha, foi o que meu irmão disse depois de colocar pra fora o único pedaço que provou. Depois disso até suco foi derramado na mesa. Os ânimos se alteraram. Que carne ruim era aquela? Picanha né tudo igual não? Minutos depois o gerente veio perguntar se havia algo errado já que não estávamos comendo a picanha. E meu irmão logo foi dizendo que já andou por muitos lugares, mas que picanha daquele jeito ele nunca tinha visto. Após algum tempo de conversa eis que descobrimos o porque dessa picanha ser desse jeito. A picanha era feito no bafo. Gente quem já comeu picanha no bafo? Horrível. E o pior de toda essa história é que lá tinha sim a picanha que conhecemos. Aff. 
Tudo foi um desencontro de informações. O garçom não explicou como era a picanha e nós achamos que só existia uma forma de picanha. Ao chegar em casa, depois de ouvir frases como: “isso não é lugar gente pra comer não”, “se a gente quiser comer algo que presta, compra e faz em casa", “ eu não saio mais de casa pra comer fora”, durante todo o trajeto de volta, percebi que tudo isso nada mais é do que diferença cultural. Os amazonenses estão acostumados a comer picanha no bafo, baião com feijão branco e a tantas outras coisas que ainda não tive a oportunidade de ver ou conhecer, e nós que chegamos a pouco tempo estranhamos e não estamos habituados a comer dessa forma. Isso só mostra a diversidade do nosso Brasil e o quanto amo comida nordestina. Brasileiro é isso, é diferença de cultura, de costumes, de sotaques, de culinária e de gostos e sabores também.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Meu segundo dia no Norte

Acordei um pouco mais cedo. As 10h aqui. Hoje sai no mercadinho que é quase do lado. Novamente senti saudade. Mas como sou do tipo que foge e coloca os pensamentos de lado pra não sofrer, foi isso que fiz. Mas me peguei pensando no Moço. Em como seria se eu não tivesse que mudar pra tão longe. Acredito que não daríamos certo por uma série de coisas. Mas gosto dele. Do carinho, da conversa, da risada boba, gosto da companhia, do beijo e do MELHOR ABRAÇO (já falei desse abraço né?). Abraço de verdade. Lembro que meu último relacionamento foi a mesma coisa, 2 meses depois que começamos a namorar nos separamos. Com o Moço não foi namoro, foi algo especial, mas que já veio com data de início e fim. Ainda bem que já tinha comprado à passagem porque caso contrário eu adiaria essa viagem quantos dias fosse possível.
 Hoje ouvi de uma senhora que é cearense, que ela passou 4 anos para se adaptar aqui (tá certo que isso foi na década de 90, onde tudo era mais difícil), já outro homem que também é cearense (Chega! Cadê os amazonenses daqui gente?) está há 1 ano aqui e disse que não da pra confiar em ninguém. Pensamentos negativos. Por isso quero conhecer gente daqui, chega de tanto cearense ne?! 
Hoje conheci uma praia daqui: Ponta Negra (acho que já ouvi esse nome em outro estado... Isso mesmo! Ponta Negra em Natal). Gente que lugar lindo é essa Ponta Negra daqui hein? Gostei muito do lugar. Tive pela primeira vez a sensação que aqui pode ser bacana. Apesar de ser noite deu para perceber a beleza do lugar. Um mar de agua doce (sempre preferi água doce, haha), areia, grama, quiosques, um anfiteatro gigante, bancos para sentar, e um calçadão enorme. Um lugar muito agradável para sair com amigos ou namorado. E por falar em amigos, a noite inteira fiquei imaginando nosso grupo das viagens lá. Sentados na grama, com a Menina sem coração ao violão (apelido dado por um cara que se apaixonou por ela e não rolou nada entre eles), a Senhora cantando e os outros rindo provavelmente das brincadeiras do palhaço do grupo ou das baixarias daquela que nunca teve papas na língua. Ah! Povo que eu gostei de me aproximar viu?! Depois fomos a uma pizzaria com meu irmão, que para variar foi ignorante com a garçonete. Qual o problema que ele tem que não pode ser uma pessoa normal? Na verdade nem estou falando em gentileza, apenas em não ser mal educado. Acho que realmente não somos irmãos de barriga mesmo. Vai que fui trocada como mãe sempre diz?

domingo, 13 de setembro de 2015

Primeiro Dia no Norte

Acordei tarde porque obviamente fui dormir tarde. Cheguei no aeroporto e diferente dos reencontros de famílias, não houve emoção, apenas um abraço frio e distante. Fiquei surpresa por ver minha cunhada, pela hora não acreditei que ela iria. No caminho para casa fiquei perdida com ruas tão estreitas. A casa do meu irmão é meio antiga. Mas eu e minha mãe temos um quarto e banheiro só nosso. Graças a Deus. Sim, continuando pela manhã quando acordei, já me deparei com gente do Ceará aqui. Serio isso? Eu não tinha mudado de estado e até de região p esquecer esse estado não? Mas enfim. Os cearenses também estão aqui. Tomando café conheci um menino de 11 anos que também é cearense e que pelo visto será meu informante turístico. Até aqui tudo bem. Uma mulher veio aqui e de cara já gostei dela, tem 38 anos, com cara de 25 e espirito de 15. Está de férias e espero poder aproveitar o tempo dela para sairmos um pouco e começar a me familiarizar com essa nova vida. Tive um pequeno desentendimento por opinião diferente entre mim e meu irmão. Como sou extremamente chorona logo enchi meu olho de lágrima, daí sai no portão pra ver a rua e de repente fui invadida por uma avalanche de sentimentos. Muito medo, muita saudade. Percebi e cai na real pela primeira vez que não estou no meu mundo, não estou no prédio de Gileno e não posso sair de minha casa pra casa daquela vizinha que já era de casa ou ate pra ir no supermercado ou shopping que sempre foram meus vizinhos. Caramba como mudar dói, machuca demais. Espero que isso passe logo. Lembrei-me de meus amigos de Natal e por falar neles, passei o dia falando com o moço (chamarei você assim por aqui e logo mais falarei quem é esse moço na minha vida) e ele me fez rir até aliviar um pouco essa vontade imensa de voltar pra meu canto. A minha querida amiga senhora (esse nome é sua cara) que sempre está pronta a me ouvir e a dá bons conselhos, como sempre soube me fazer pensar por um outro ângulo, aquele que nos permite ver as coisas de um jeito mais leve. Hoje já saí pra um lugar que parece o centro, porque tem muitas lojas e Banco, mas pelo que entendi é o centro do bairro. Imagine o centro de verdade?! Minha gente que ruas estreitas são essas? Percebi que além não ter noção de tamanho de carro, não saberei tão cedo dirigir aqui com ruas tão estreitas, sem sinalização e com o povo indo e vindo em todas as direções numa rua. Fui dormir muito tarde só porque estava falando com o moço (sem saber ainda que ele seria o meu companheiro de várias noites e algumas madrugadas mesmo estando há tantos quilômetros de distância). E assim foi o primeiro dos muitos dias que ainda passarei nesse lugar!