Mudar
de estado já tem lá suas mudanças regionais, suas peculiaridades, imagine então,
mudar de região. Lembro que quando mudei para Natal, os meus amigos sempre
falavam do meu chiado. Implicavam porque falo “Thxiago”, “Dxiga” “dxiferentxe”,
entre tantas outras palavras que chio tanto. Sempre quando voltava das férias,
depois de um mês no Ceará, meu sotaque voltava carregado. E aos pouco ia
cedendo e dando lugar novamente ao sotaque e à algumas palavras potiguares.
No
Ceará a expressão usada para se dirigir informalmente a uma amiga é “e aí
mulher?” (isso pra mulheres, pra homem não me recordo), no RN é “ e aí boe”, já
aqui no Norte, tudo, absolutamente tudo é “e aí mano (a) ou maninho (a)”.
Confesso que por não ser adaptada a escutar no início achei bem engraçado. Mas
aos poucos estou me adaptando, a ouvir, não a falar (acho que vou demorar um
pouco a pegar essa expressão). E eles também chiam um pouco, então nem da pra perceber tanto o meu sotaque cearense.
As
comidas daqui são bem diferentes das do Nordeste. Aqui praticamente tudo eles
comem com farinha branca. Não tenho muito contato com a comida daqui, porque em
casa a comida é estilo cearense e praticamente não comemos fora porque minha
família não aprova em nada a culinária local. Apesar de não aprovar algumas
coisas, sou do tipo disposta a provar tudo, desde que a aparência não seja tão
ruim. Ainda não comi quase nada regional, ou típico daqui. Apenas o açaí.
Quem
me conhece um pouquinho sabe como amo açaí. Então logo nos primeiros dias que
cheguei aqui minha mãe comprou 1L de açaí. Mas infelizmente ele era líquido e
não ficou de modo algum na consistência de sorvete que era a única forma que eu
estava adaptada a tomar, então foi o jeito improvisar e fazer vitamina de açaí
no estilo natalense (com leite condensado, farinha láctea, leite em pó e um
pouco de leite) e ficou aprovada. Depois de uns dias fui tomar açaí na tigela.
Todo mundo ouviu o nome tigela ne? Então pensei que a consistência fosse de
sorvete, quando na verdade a consistência é mais para milkshake. Não vem com
leite condensado, nem com banana. Os acompanhamentos são: açúcar, granola e
farinha de mandioca. Estranhei muito a consistência. Prefiro o que tem uma
consistência mais grossa. Lembro que não é apenas esse o diferencial do açaí.
Outro fator destoante é o preço. Considerando que aqui é a terra do açaí,
sempre achei que fosse algo bem mais acessível, em conta, barato. Mas pelo
contrario. Aqui você toma 250mL pelo mesmo valor que toma 1L de açaí em Natal.
É isso mesmo. Sem exageros.
Então
embora eu tenha cansado de ouvir (ouvi muito mesmo!) que aqui é terra para se
ganhar dinheiro, também já percebi que é a terra para se gastar o dinheiro que
você ganha. Não descobri ainda qual a vantagem de ganhar tanto, mas também de
gastar muito mais que se gastaria em outro lugar. Mas ainda vou tentar entender
esse cálculo. Se é que existe algum entendimento pra isso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário