Então fica o acordo: eu não falo, tu não falas e ficamos nesse
silêncio que é mais fuga do que a própria palavra.
Eu fico com o teu sorriso desconcertante que eu
não sei mais se foi real ou se eu que imaginei que os teus dentes perfeitamente
emparelhados se mostraram em câmera lenta. Fico com a sensação de descoberta,
de cuidado, de arrebatamento. Fico o toque. Fico com o imã que não deixava que
mãos se desligassem, que carinhos desaparecessem, que segurança faltasse. Fico
com a minha embriaguez de ti, a tua lucidez de mim.
Você deve lembrar aquele abraço, daquele
suspiro. Fico com ele também. Fico com a cena que tinha muito mais do que uma
beleza cinematográfica: era real.
[...]
Eu fico com as tuas palavras. Fico com o
silêncio. Fico
com o mesmo silêncio que usávamos para falar de cumplicidade. Fico
com a leveza que toda intensidade tem. Fico com a fuga, mesmo que não se possa
voltar atrás depois da entrega. Fico com a saudade,
porque não existe motivo para ficar com a tristeza.
(Texto escrito por Marina Melz, originalmente postado na página EOH)

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