sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Fico só com a saudade

Então fica o acordo: eu não falo, tu não falas e ficamos nesse silêncio que é mais fuga do que a própria palavra.
Eu fico com o teu sorriso desconcertante que eu não sei mais se foi real ou se eu que imaginei que os teus dentes perfeitamente emparelhados se mostraram em câmera lenta. Fico com a sensação de descoberta, de cuidado, de arrebatamento. Fico o toque. Fico com o imã que não deixava que mãos se desligassem, que carinhos desaparecessem, que segurança faltasse. Fico com a minha embriaguez de ti, a tua lucidez de mim.
Você deve lembrar aquele abraço, daquele suspiro. Fico com ele também. Fico com a cena que tinha muito mais do que uma beleza cinematográfica: era real.
[...]
Eu fico com as tuas palavras. Fico com o silêncio. Fico com o mesmo silêncio que usávamos para falar de cumplicidade. Fico com a leveza que toda intensidade tem. Fico com a fuga, mesmo que não se possa voltar atrás depois da entrega. Fico com a saudade, porque não existe motivo para ficar com a tristeza. 

(Texto escrito por Marina Melz, originalmente postado na página EOH)

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