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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

De um amor e uma saudade que ainda não acabou

Caraca quanto tempo faz que venho aqui? Muito, muito tempo. Sinto muita falta de escrever aqui, e acreditem ou não, mas vez ou outro crio um texto inteiro em minha cabeça. Texto esse que em minutos eu esqueço e nem consigo escrever em um rascunho por conta da correria e dessa rotina que tá o meu dia a dia. Muita coisa aconteceu em minha vida desde a última postagem em janeiro.
Estou fazendo a minha tão sonhada resindência e é justamente por conta disso que ando tão sumida e com a vida tão corrida, ja que passo 60h semanais dentro de uma maternidade. Gente é muita hora viu!! As vezes me pego pensando como consigo.. haha. Mas isso é papo para outro texto. A outra grande novidade é que estou morando sozinha. Sim, literalmente sozinha. Sem família e sem uma amiga para dividir o apê, as contas, as faxinas e fazer companhia (saudades de você pequena).              Minha família mudou há mais de dois meses para outro estado e eu continuei aqui por conta da residência, mas já estou morrendo de saudades da minha sobrinha linda.
        Enfim, coisas aconteceram nesses período que estive longe daqui. E aos poucos vou tentar voltar a escrever.
        Mas, o meu desejo hoje de voltar a escrever é porque li um texto que me fez ficar balançada,,,

"Existe algo muito maior entre a gente além da vontade de querer ficar juntos. Eu acho que a gente precisa falar sobre, ou então, deixar isso de lado e ver se, quem sabe, o tempo ajuda a resolver.
É que tanto você quanto eu sabemos que a gente não pode ficar juntos. Não agora pelo menos. É um negócio meio estranho porque sabemos que há vontade, mas sabemos também que existem outros fatores que influenciam nessa nossa decisão. Se fosse só por querer, a gente já tinha resolvido.
Há coisas que precisam ser acertadas tanto na minha vida quanto na sua. Nós sabemos. Só não sabemos se serão mesmo acertadas.
É uma sensação estranha e inédita para mim querer ficar com alguém mas ser impedido por motivos que extrapolam o mútuo querer, isto é, se o motivo fosse só a gente se gostar, nós já teríamos resolvido, mas isso vai além. E talvez seja isso que me frustre tanto: a existência de barreiras quase que intransponíveis na nossa história.
Será que isso um dia vai melhorar? Será que vamos conseguir passar por isso e lembrar dando risada? Ou será que só nos transformaremos em mais uma história passada?
Dói ter que pensar, piora não conseguir agir. Odeio ter que colocar respostas na responsabilidade do tempo, mas odeio tantas outras coisas nas quais preciso aprender a lidar que é essa é só mais uma.
A gente não pode ficar juntos.
Não agora, nem amanhã. Mês que vem também não. Não da nem para saber se um dia realmente ficaremos. Esta que é a verdade.
Mas a nossa distância não diminui meu sentimento. A gente não pode ficar juntos, mas a gente quer.  Vai que o tempo passa e transforma o nosso querer em viver."
            ENTENDA OS HOMENS - EOH
 
Foi impossível dá de cara com esse texto nas redes sociais e não sentir o coração apertar, o olho encher de lágrima e vir a mente toda a nossa história. Parece que o texto foi escrito por alguém que nos conhece e foi um telespectador de tudo o que vivemos "juntos" né? O fato, é que ler isso, me fez lembrar de você, e fez a saudade me invadir com o desejo de que esse texto seja real em nossas vidas. Está longe jamais vai fazer apagar a nossa história. 
Um beijo pra você que ainda insiste em me visitar nos meus sonhos

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Primeira etapa da Residência

Daqueles dias que ansiamos, esperamos e até sonhamos que chegará. Aquelas viagens mega especiais que planejamos e não vemos a hora chegar o momento? Das vezes que vamos nos reencontrar com amigos ou mesmo com o amor de nossa vida depois de meses sem nos vermos? Essa era mais ou menos o nível de ansiedade. Quem conviveu esse último mês comigo percebeu o quanto eu estava tensa. Parei de ir a academia, tudo por um objetivo. Estudar para prova de residência. Um dia estava com uma alta estima nas alturas, certa que daria certo e na outro eu ficava pra baixo pensando nas pessoas que fizeram a prova ano passado e que iriam fazer novamente esse ano. Mas mesmo nessa insegurança, consegui estudar, fiz um curso preparatório com dois alunos que já são residentes (15 alunos que iriam fazer a prova – e como nada nessa cidade é de graça, o curso foi pago, mas pelo preço justo). O curso nos deu um bom direcionamento de como e o que estudar, já que é uma área que não vi nada na faculdade.
Os últimos dias pareciam não passar. Ruí todas as minhas unhas, na verdade nem os dedos escaparam. Os meus dias eram literalmente pra estudar. Acordar pra estudar e dormir cedo pra acordar o mais cedo (que eu conseguisse) pra estudar novamente. Claro que vez ou outra saía um pouco porque se não iria pirar.
E finalmente o grande dia da prova chegou. Sábado de manhã. No caminho não fiquei tensa e nem mesmo na hora da prova (graças a Deus). Li a prova já respondendo o que sabia, reli novamente confirmando as que eu tinha certeza e depois foi a hora de quebrar a cabeça com as questões chatas. Na verdade eram três. Dessas, uma eu não sabia por que era daquelas de marcar as certas e depois escolher a opção com a sequência correta (acabei optando que todas estavam certas, já que não sabia onde tinha erro e acertei! Haha) a outra era sobre interpretação de gráfico e depois de algum tempo consegui resolvê-la e a ultima eu sabia que não tinha alternativa certa, mas mesmo assim tinha que marcar alguma alternativa. O bom é que após a prova já saiu o gabarito oficial. Tirei foto e apesar da ansiedade deixei pra corrigir em casa.
E pra minha alegria, felicidade e todos os sentimentos bons que existem eu fui super bem. Errei apenas a questão que como eu disse não existe alternativa correta. Sabe aquela sensação maravilhosa de que você fez o seu melhor e valeu a pena? Na verdade valeu mais que a pena todo o investimento de tempo e de dinheiro também. Essa foi apenas a primeira etapa do processo seletivo, ainda faltam a análise dos títulos e a entrevista. Mas, era a primeira etapa a que eu mais poderia fazer algo. Ainda não sei como será o resultado final do processo, mas independente dele eu estou mega feliz (já sorri e pulei muito de alegria) porque o meu esforço valeu a pena.

E com isso aprendo que apesar de ser bem clichê, todo o nosso esforço hoje, valerá a pena lá na frente. Nada na vida vem fácil. Até porque quando lutamos, quando abdicamos de algo e quando fazemos o nosso melhor, no momento em que conseguimos o objetivo, sabemos valorizá-lo.
Agradeço a Deus por ter me honrado nessa primeira etapa. Durante toda a minha preparação eu pedi pra acertar no mínimo 19 questões. E foi isso que aconteceu. Deus sempre faz a parte dele, mas pra isso precisamos também fazer a nossa. E quando isso acontece o resultado é esse: FELICIDADE transbordando.

Atraso, Chuva e Táxi

Eram quase 18:20h (horário local), eu já estava pronta e nada de saber onde meu querido irmão estava – ele é meu motorista. Teria que chegar as 18:3h na casa de minha amiga para irmos ao curso do preparatório de um processo seletivo que estou fazendo. Não suporto atrasos, então decidi ir de mototáxi pra tentar chegar o menos atrasada possível. Saí de casa em direção ao ponto de mototáxi, que é na outra esquina e de repente senti pingos em meu braço. Isso mesmo! Numa noite de atrasos, começou a chover. Consegui voltar pra casa antes da chuva começar forte. Aí meu estresse já estava nas alturas, sem saber o que fazer.
Táxi. É isso! Vou chamar um táxi. Mas não tenho nenhum número de taxista e como meu celular não estava funcionando e estava usando o de minha mãe temporariamente, ele não tem o aplicativo de chamar táxi. Pedi a minha amiga algum número e o que ela me deu não funcionava. Pesquisei na internet e finalmente consegui chamar um. O atendente me falou que ele chegaria em 7 minutos, e 8 minutos depois eu já estava discando o número pra ligar novamente, quando o táxi chegou. Sabe aquelas cenas que está chovendo forte, você com um guarda chuva e entra num táxi? Senti-me numa dessas, não pelo táxi, mas porque literalmente me joguei no banco de trás tentando me molhar o mínimo possível. Ok. Já estou dentro do táxi. Quando falo o destino, o taxista imediatamente diz: “ok nordestina”. Ri automaticamente e ele me falou que o sotaque é bem forte. Percebi que eu tinha colocado muito sotaque mesmo sem perceber, involuntariamente. O trajeto foi bem curto, mas ele me contou praticamente boa parte da vida dele, disse que quando chegou a esta cidade foi acolhido por um casal de nordestinos (mas precisamente, paraibanos – Ah João Pessoa linda, que tenho saudade e ainda quero conhecer muito).

Aproveitei para perguntar sobre o bairro que moro. Sabe aquela impressão que falei logo quando cheguei aqui, que parecia que morava numa favela, mas que depois eu comecei a gostar por ter tudo perto. Nunca tinha perguntado a alguém como esse bairro era visto pelos demais moradores da cidade. Descobri que realmente esse bairro não é classe média (isso já tava na cara), muito menos classe média alta, mas que possui o custo benefício por ter tudo tão perto, por ter um centro comercial de bairro (que não é o centro da cidade) onde dá pra resolver praticamente tudo e também porque é um lugar perto do centro (isso quando você vai de carro ne? Porque de ônibus é uma viagem que dura praticamente mais de 1 hora). Falando em ônibus, não lembro se já comentei, mas os motoristas de ônibus daqui parecem que estão dirigindo um foguete (literalmente). E mesmo assim, os trajetos são bem longos, tanto pelo trânsito quanto pelas voltas e mais voltas que ele tem que dá. Voltando ao táxi, finalmente consegui chegar à casa de minha amiga com pouco atraso e chegamos no horário para a aula do preparatório. 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Cultura Regional #1

Já fazem mais de 3 meses que estou aqui e minha curiosidade por conhecer essa cultura e culinária só aumentam a cada dia. A partir de hoje irei começar a dividir, os termos, comidas e coisas aqui da cultura local desse estado e capital com tanta diversidade.
Pitiú: odor forte, desagradável. Isso em relação a peixe. “Peixe feito em casa tem pitiú”.
Tacacá: uma espécie de caldo (tem três tipos: um salgado, um doce e um misto que é o doce com o salgado) com camarão e ervas. “É preparado com um caldo fino e bem temperado geralmente feito com sal, cebola, alho, coentro do norte, coentro e cebolinha e, principalmente, um caldo amarelado, chamado tucupi. Coloca-se esse caldo por cima da goma de tapioca, também servida com camarão seco e jambu. Serve-se muito quente, temperado com pimenta, em cuias”.
Carapanã: muriçoca, pernilongo (acho esse termo muito paulista)
Curumim: garoto
Cunhatã: garota
Geladinho: Dindin
Taberna: quitanda, mercearia, bodega
X-caboquinho: Feito com pão francês, queijo coalho, tucumã, ovo e banana frita. É um sanduíche bem tradicional nos cafés.
Tucumã: “fruto de uma palmeira amazônica, de polpa grudenta e fribrosa”.
Igarapé: “curso d'água constituído por um braço longo de rio ou canal, de pouca profundidade e quase no interior da mata. Significa, literalmente, "caminho de canoa", através da junção dos termos ygara (canoa) e apé (caminho)”. Também utilizado pra se referir aos grandes canais de esgotos que existem na cidade.
Mana(o): gíria pra falar com qualquer pessoa. Muito usado também no diminutivo: maninha

Marronzinho: Amalerinho, guarda de trânsito.

(Wikipédia)

Começando a sentir-se em casa

Após mais de 3 meses, já começo a me sentir melhor nessa minha nova casa. Já conheço algumas pessoas, já saio sozinha. Tenho uma independência mais parecida com a que já tive em tempos antigos. Ainda não é igual, nem será porque agora não moro mais com uma amiga e sim com a minha família. Mas posso dizer que a pior parte, a da adaptação inicial já passou. Graças a Deus. Pensei que nunca passaria, mas enfim passou. Ainda conheço pouco da comida regional e não saí pra muitos lugares. Mas já provei do peixe (algum de um dos milhares que têm aqui) e gostei. Mas pra mim peixe é peixe e eu não consigo AINDA, diferenciar os sabores (quem sabe eu aprendo depois de um tempo). Depois de algumas tentativas frustradas, consegui achar um açaí que tenha uma consistência mais parecida com a que estava acostumada e que vem com granola e leite condensado. Ainda não encontrei com banana ou outras frutas, pois o forte do acompanhamento daqui é farinha de mandioca (umas bolinhas brancas e duras, mas que quando dentro do açaí ficam mais mole) e açúcar. Ainda não experimentei o famoso tacacá e tantas outras comidas regionais. Mas tempo é o que não me falta aqui. 

domingo, 8 de novembro de 2015

Comendo Sushi

Estava sentindo uma vontade louca de comer Sushi. Quem me conhece sabe que sempre falo que Sushi é igual a açaí. O seu organismo, ou melhor, o nosso paladar não está adaptado a comer coisas tão diferentes, então devemos dá a ele a oportunidade de provar e não só de experimentar uma única vez, mas sim de permitir o tempo necessário para se adaptar a sabores tão diferentes do que estamos acostumados no dia a dia, mas tão saborosos e deliciosos. Como a maioria das pessoas que conheço, também não gostei de nenhum dos dois de cara. Tive que comer 2 a 3 vezes para gostar e depois daí me apaixonar por esse sabor característico e meio exótico (hahaha esse termo é legal). Então com esse desejo avassalador de comer Sushi depois de meses de abstinência, sem previsão de comer, já que não vende perto de minha casa e ninguém iria me acompanhar porque não gostam (não sabem o que perdem), fiquei desejando e comecei a seguir os IGs de todas os restaurantes de Sushi da cidade.
Então, numa noite dessas fomos a feira e lá próximo tinha um restaurante japonês. Meus olhos brilharam literalmente. Gosto demais do clima desses restaurantes. Mas infelizmente tive que pedir pra viagem e não tive tempo para desfrutar desse ambiente aconchegante que tanto gosto.  A primeira coisa que me surpreendeu foi o preço, claro que como tudo nessa cidade, não seria o Sushi que seria diferente. Então sim, ele foi bem caro, mas além disso não estava tão bem feito esteticamente como eu estava acostumada a comer. Já provei Sushi em Natal e duas cidades cearenses. Em Natal o preço é mais acessível e a estética é melhor, já nas cidades do Ceará as duas ganham pelo preço justo e pela estética. Então entre os 3 estados que já comi, o Ceará ganha em primeiro lugar. Em todos eu gostei do sabor, acho que só conseguiria saber qual o melhor sabor se provasse todos num único momento e isso é impossível ne? Mas mesmo com alguns prós, com certeza irei comer muito Sushi por aqui ainda, melhor ainda se for acompanhada.   

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Chegue Logo

Quando senti o vento, a brisa do mar tocando meu corpo, eu só desejei que você chegasse daquele jeito, suave, devagarzinho por trás de mim e me abraçasse, me envolvendo em teus braços. Que deixasse minha cabeça repousar sobre seu peito. Fechei o olho e senti por um minuto essa sensação. Esperei por você. Desejei tua chegada ali naquela noite fria. Olhei pra os lados procurando por você, imaginando teu rosto entre tantas pessoas que estavam ali naquele calçadão. Procurei e só depois de um tempo percebi que não sabia a quem eu estava procurando. Porque ainda não conheço o teu rosto, não sei qual a tua altura, nem a cor da tua pele. E não saber isso, não saber teu nome, não saber quando você chegará está me matando de ansiedade, de curiosidade. Quero logo sentir a segurança do teu abraço, o gosto do teu beijo em minha boca. Quero sentir teus olhos me olhando, ver o teu sorriso, sentir as tuas mãos se entrelaçarem nas minhas. Quero saber de tudo sobre você. Saber dos teus gostos, dos filmes, comidas e lugares preferidos. Quero ouvir sobre as viagens que já fez. Quero que conte os lugares. Quero saber coisas sobre sua vida. Quero conhecer você. Então, se posso ti pedir algo, não demore tanto a chegar porque eu já estou aqui, te esperando.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Desejo realizado: Falei com você

Finalmente o dia do seu aniversário chegou. É dia de ti ligar, de ouvir sua voz. Liguei, você não reconheceu minha voz de primeira, também quem mandou eu ligar confidencial né? Acho que eu era uma das pessoas menos prováveis que você estava esperando ouvir a voz. Depois daqueles velhos clichês, perguntando como estava, o papo começou a fluir. Você me contou como anda a vida, o que tem feito de novo, falou da academia que deixou de frequentar, contou sobre as novidades acadêmicas, falou sobre a vida de nossos velhos amigos em comum e de quem eu tanto sinto falta. Gostei demais de ouvir você falar. Porque a conversa foi natural, fluiu, foi semelhante aos velhos tempos. Gostei da empolgação da voz para me colocar a par de tantas novidades da nossa antiga cidade. Foi como uma volta no tempo em que passávamos horas e horas no celular tentando matar um pouco da saudade, a diferença é que tive que desligar logo. Mas sei também que os assuntos não viriam ou não seriam tantos a ponto de ficarmos horas no celular. Porque naquele tempo, as horas ao celular eram preenchidas também com trocas de carinho e músicas cantadas por você pra mim. Apesar dos poucos minutos, fiquei feliz por está tudo bem com você e de falar contigo. Continue bem e até uma próxima ligação.  

Desejo do dia: Falar com você

Hoje eu acordei pensando em você, em ti ligar, em passar horas no telefone falando besteira, escutando o que você tem feito da vida. Eu sinceramente sinto falta de uma pessoa que era tão próxima, que estava presente em tudo na minha vida mesmo estando tão longe fisicamente. Às vezes acho que isso tudo é só nostalgia, necessidade de ter alguém que cuide de mim, mas hoje o desejo é conversar por horas, olhar no olho, abraçar você. Ainda estou meio confusa com tanta mudança, tanta coisa nova e gente nova.
            Mas não posso ligar hoje, porque quero esperar pelo seu aniversário para ter um motivo mais real para uma ligação tão inesperada, depois de tantos dias sem nenhum contato com você. Fico por aqui tentando conter a ansiedade, a curiosidade e a saudade enorme de saber sobre sua vida.  Torço então para que seu aniversário chegue logo e eu possa escutar sua voz mesmo que seja apenas pelo celular e possa saber como anda a sua vida. Afinal, amigos são pra vida toda, certo? 

Quero conhecer

Hoje acordei com uma vontade imensa de conhecer.  Tenho e sempre tive desejo de conhecer lugares, coisas, vontade de conhecer o mundo. Mas hoje a minha vontade é conhecer pessoas. Quero sentar numa mesa, na praça ou na areia da praia e começar a conversar com alguém. Quero saber o que a pessoa mais gosta de fazer, qual a comida preferida, o filme favorito, quero ouvir sobre seus sonhos, quero rir e gargalhar. Quero me sentir como uma criança que está ouvindo uma historinha, porque quero imaginar as cenas que a pessoa estará contando tão detalhadamente. Quero conhecer pessoas que me acompanhem numa sessão de cinema, que me façam companhia pra tomar um sorvete, pra fazer um brigadeiro em casa e ter alguém pra chamar e ganhar umas calorias a mais. Quero uma pessoa para ir ao zoológico, ao shopping, a praia. Alguém que me ajude a conhecer essa cidade tão grande e que ainda é um mundo desconhecido para mim. Hoje meu desejo é de conhecer!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sotaque, gírias e açaí

Mudar de estado já tem lá suas mudanças regionais, suas peculiaridades, imagine então, mudar de região. Lembro que quando mudei para Natal, os meus amigos sempre falavam do meu chiado. Implicavam porque falo “Thxiago”, “Dxiga” “dxiferentxe”, entre tantas outras palavras que chio tanto. Sempre quando voltava das férias, depois de um mês no Ceará, meu sotaque voltava carregado. E aos pouco ia cedendo e dando lugar novamente ao sotaque e à algumas palavras potiguares.
No Ceará a expressão usada para se dirigir informalmente a uma amiga é “e aí mulher?” (isso pra mulheres, pra homem não me recordo), no RN é “ e aí boe”, já aqui no Norte, tudo, absolutamente tudo é “e aí mano (a) ou maninho (a)”. Confesso que por não ser adaptada a escutar no início achei bem engraçado. Mas aos poucos estou me adaptando, a ouvir, não a falar (acho que vou demorar um pouco a pegar essa expressão). E eles também chiam um pouco, então nem da pra perceber tanto o meu sotaque cearense. 
As comidas daqui são bem diferentes das do Nordeste. Aqui praticamente tudo eles comem com farinha branca. Não tenho muito contato com a comida daqui, porque em casa a comida é estilo cearense e praticamente não comemos fora porque minha família não aprova em nada a culinária local. Apesar de não aprovar algumas coisas, sou do tipo disposta a provar tudo, desde que a aparência não seja tão ruim. Ainda não comi quase nada regional, ou típico daqui. Apenas o açaí.
Quem me conhece um pouquinho sabe como amo açaí. Então logo nos primeiros dias que cheguei aqui minha mãe comprou 1L de açaí. Mas infelizmente ele era líquido e não ficou de modo algum na consistência de sorvete que era a única forma que eu estava adaptada a tomar, então foi o jeito improvisar e fazer vitamina de açaí no estilo natalense (com leite condensado, farinha láctea, leite em pó e um pouco de leite) e ficou aprovada. Depois de uns dias fui tomar açaí na tigela. Todo mundo ouviu o nome tigela ne? Então pensei que a consistência fosse de sorvete, quando na verdade a consistência é mais para milkshake. Não vem com leite condensado, nem com banana. Os acompanhamentos são: açúcar, granola e farinha de mandioca. Estranhei muito a consistência. Prefiro o que tem uma consistência mais grossa. Lembro que não é apenas esse o diferencial do açaí. Outro fator destoante é o preço. Considerando que aqui é a terra do açaí, sempre achei que fosse algo bem mais acessível, em conta, barato. Mas pelo contrario. Aqui você toma 250mL pelo mesmo valor que toma 1L de açaí em Natal. É isso mesmo. Sem exageros.

Então embora eu tenha cansado de ouvir (ouvi muito mesmo!) que aqui é terra para se ganhar dinheiro, também já percebi que é a terra para se gastar o dinheiro que você ganha. Não descobri ainda qual a vantagem de ganhar tanto, mas também de gastar muito mais que se gastaria em outro lugar. Mas ainda vou tentar entender esse cálculo. Se é que existe algum entendimento pra isso. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Indo à Biblioteca

               Já havia decidido que segunda começaria a estudar numa biblioteca aqui da cidade. Pesquisei e decidi que a da universidade estadual era a melhor por ser um pouco (nem tanto) mais próxima de minha casa. Olhei no Moovit (um ótimo aplicativo de localização) qual ônibus deveria pegar e qual a rota deste. Na segunda à tarde cheguei mais cedo da academia para ir p à biblioteca. No entanto, ao começar a rever o mapa fiquei muito confusa com tantas ruas, já que eu tinha que andar um pouco a pé até chegar a uma parada que o ônibus que eu ia pegar passasse. Pelo avançar da hora decidi deixar a aventura para a terça pela manhã.
               Acordei bem cedo, fiz meu ritual de ficar na cama mais alguns minutos após acordar para que meu corpo finalmente entendesse que já era hora de está alerta. Sempre estudei pela manhã, mas isso não significa que sou adaptada a acordar cedo, pelo contrário, quem me conhece sabe que sou uma dorminhoca sem igual. Mas o fato é que apreendo melhor se estudar pela manhã e também aproveito o resto do dia e de quebra ainda tenho sono cedo pra dormir cedo e acordar cedo novamente.
               Pois bem, acordei, me arrumei e quando fui tomar café percebi a chuva que estava caindo e o céu de um cinza bem escuro. Ah, meus planos foram por água a baixo junto com a água que escorria pelas ruas. Mas não desisti. Deitei um pouco pra esperar e pouco tempo depois a chuva passou. Embora o céu ainda permanecesse escuro. Peguei o guarda chuva e fui para a parada de ônibus. Com a ajuda do aplicativo (olhei para ele a cada rua que o ônibus entrou) consegui chegar ao destino certo. Entrei na biblioteca e ops... Adivinhe? A biblioteca está sem internet e eu preciso fazer um cadastro (que precisa da internet) para poder ter acesso aos livros. Depois de uma hora de espera, o sistema voltou, mas para minha sorte lá não tinha nenhum dos livros que eu precisava para estudar.
               Realmente parece um complô ne? Porque eu estou bem mal acostumada a ficar em casa, dormir a manhã inteira, assistir TV, ficar na internet, comer, fazer tudo que eu gosto. Ai quando decido que preciso mudar e que preciso ter uma rotina de estudos, acontece  essas coisas. Mas valeu a experiência de andar de ônibus (pra quem não está acostumada com uma cidade nova, cada ônibus pego é uma oportunidade de conhecer mais um pouco da  cidade) e vamos a próxima biblioteca ne?


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Sobre o primeiro dia no Sup

Quem me conhece sabe que gosto de provar quase tudo, mesmo que eu tenha a sensação de que não irei gostar. Mas preciso provar pra poder dizer a alguém quando for questionada se é bom ou ruim, mas principalmente pra falar que é uma das coisas que embora não seja uma das melhores do mundo, merece ser provada ou ser feita.
Foi assim quando comi acarajé pela primeira e única vez na vida. Nem foi na Bahia (infelizmente ainda não pisei em solo baiano), mas quando vi uma plaquinha com o nome acarajé numa praia do litoral potiguar, minha curiosidade falou alto e eu quis provar dessa iguaria. Na época eu estava acompanhada de umas amigas (As Coisinhas) e apenas uma delas já havia experimentado. Questionei se era bom e ela apenas disse ser algo que valeria a pena comer, para depois opinarmos. Então decidi comprar, provei e graças a Deus que compramos apenas um para dividirmos com todas, porque a pimenta é bem forte (embora eu tenha dito que queria o menos apimentado possível) e o sabor bem diferente. Não achei ruim, mas também não me apaixonei pelo sabor. Talvez seja semelhante a sushi ou mesmo ao açaí, já que também não gostei de nenhum dos dois a primeira vista, mas após a primeira impressão, me apaixonei completamente pelo sabor desses dois itens, que hoje com toda a certeza estão no topo das minhas preferências de comida. No entanto não tenho vontade de comer acarajé novamente (possa ser que se eu for morar la pela Bahia um dia, eu mude essa ideia), mas é algo que não me arrependi de ter experimentado porque gosto de poder ter opinião.
O mesmo acontece também em outras áreas de minha vida. Gosto de viver coisas novas e desafiadoras. E foi nesse intuito que 5 dias após chegar a esta cidade, que eu aceitei e topei fazer um Sup nas águas do rio Solimões. Não, eu nunca tinha sequer visto alguém fazer isso. Aceitei e amei a experiência. É óbvio que ao ouvir o instrutor falando sobre as posições na prancha eu tive vontade de desistir, mas graças a Deus não o fiz. Ao subir na prancha e ver que eu estava no meio de tanta água sem ninguém ali do lado (na mesma prancha) para me socorrer caso necessário (já que não sei nadar) me apavorou um pouco (apesar de está com colete salva-vidas e presa a prancha que obviamente flutua e não me deixaria afundar caso caísse na água), mas aos poucos fui me soltando até conseguir ficar em pé. (SIM!! Eu fiquei em pé. Haha). Até tirei o colete e consegui mergulhar, ainda presa a prancha e segurando nas pernas do instrutor (só quem não sabe nadar entende esses medos loucos). Apesar de cansar bastante e ter ficado toda quebrada no outro dia (quem manda ter vida sedentária), foi ótimo a experiência do Sup e com toda certeza ele foi adicionado a minha lista de coisas boas para repetir na vida.
Ainda bem que consigo aproveitar, experimentar e viver coisas novas, mesmo que pareçam desafiadoras e dêem aquele friozinho na barriga. Mas se estou aqui em outro estado, estou para aprender coisas novas né? Estou super curiosa para experimentar tantas e tantas comidas que existem aqui e nunca tinha ouvido falar. Já estou esperando ansiosamente para provar Tacacá, tucumã, Mingau de banana, X-caboquinho (essas foram as que ouvi falar) e tantas outras comidas que ainda nem ouvi o nome.  

Conhecendo o Centro dessa Cidade

Gente eu nem acredito que depois de exatos 30 dias morando nessa cidade eu consegui pegar um ônibus e ir sozinha (apenas com minha mãe que também não conhece nada) ao centro dessa cidade. Hahaha. Pense numa emoção. Sempre fui independente pra andar de ônibus e até de metrô, então já estava passando da hora de pegar meu primeiro ônibus aqui e começar a descobrir o tanto de coisas que aqui existem e que preciso conhecer.
O destino foi o centro comercial. Na ida dentro do ônibus eu me senti uma criança olhando para os dois lados da rua e tentando decorar pontos de referência. Depois de não saber ao certo onde desceria, sabia que era num terminal, mas aqui existem milhares deles, seria o primeiro, o segundo ou o próximo? Particularmente não tenho problemas em pedir ajuda a alguém quando não conheço o local, mas prefiro fazer isso quando estou sozinha, me sinto mais a vontade. E está acompanhada de minha mãe me tirou um pouco dessa inciativa, coisa que ela também não tem em relação a esses assuntos. Então quando achei que era o terminal certo, apenas intuição, sem nenhuma certeza, decidi descer. Tivemos que voltar um pouco para encontrarmos as lojas que vendiam o que eu estava procurando. Perguntei a várias pessoas onde vendia e como eu poderia chegar. Algumas pessoas tinham mais paciência e explicavam detalhadamente ensinando rua a rua (já que eu não sabia o nome de nenhuma) como chegar aonde eu queria, outras nem tanto. Achamos o centro pouco movimentado para um dia de sábado e pouco comércio. Mas depois de andarmos e suarmos muito nesse calor (ôh lugar quente!) percebi que estávamos completamente erradas.
O centro é enorme, a sensação que tive foi que andamos em apenas um terço dele. É muito comércio, muita loja (muita mesmo), muitos Bancos e praticamente todo o centro é em prédio histórico, incluindo o Carrefour e as Lojas Americanas (nunca imaginei essas duas lojas em prédios históricos, haha). Alguém já entrou num Carrefour que é assim? Haha. É muito legal. Acho prédios históricos um charme, por mim tiraria fotos na frente dos que eu elegesse os mais bonitos, mas não o fiz por dois motivos. Primeiro, todas as pessoas me achariam meio doida, já que não vi ninguém com esse costume e segundo, que fiquei com medo de ficar sem celular, já que me falaram que aqui anda meio perigoso para assaltos desse tipo. Mas o fato é que gostei muito do centro apesar do calor indescritível.

A volta foi bem tranquila e deu tudo certo. E essa foi a minha primeira ida ao centro e minha primeira aventura de ónibus e sem ninguém pra me guiar numa das 10 maiores cidades do Brasil. É isso aí. Simbora conhecer essa cidade sozinha, já que o povo dessa casa prefere ficar no ar condicionado. 

Babando crianças

Numa noite dessas fiquei observando a beleza, o brilho e o encantamento que uma criança transmite. Criança é pureza, bondade. Ser criança é descobrir o novo a cada segundo de vida. É sorrir ao ver um rosto conhecido ou simplesmente ao jogar areia da praia ao vento. Essa foi à cena que tive o prazer de presenciar: Uma criança linda descobrindo o mundo de uma praia. Ver o seu sorriso quando corria para perto da água, quando se jogava na areia ou a jogava em si mesmo, foram momentos que prenderam minha atenção durante um bom tempo. E nisso me peguei pensando no dom de ser mãe. Sempre soube que quero sim exercer a função da maternidade, em um dia distante claro. Mas enquanto isso me contento com o presente que terei em breve: ser tia (um sonho que sempre achei que não seria realizado) e de cara já presumo que serei uma tia babona e que vai amar muito esse(a) sobrinho(a). Amo crianças e fico boba só de observá-las e poder vê-las desvendando o mundo a sua volta com toda a inocência e uma curiosidade insaciável. Amo o cheiro, a sinceridade, o sorriso e o abraço de uma criança e me desmonto inteira quando sinto aquela mãozinha tão pequena procurando por minha mão para segurar a dela, sinto como se pudesse transmitir segurança e é como se eu dissesse: não se preocupe eu estou aqui com você. Toda essa cena só me fez querer ainda mais ser tia e poder acompanhar de pertinho o crescimento de uma criança, com suas quedas e tombos, com o choro, e principalmente com os sorrisos que com certeza encherão não somente a casa, mas também a minha vida de alegria.

domingo, 4 de outubro de 2015

Matando um pouco a Saudade


Depois de um mês em terras do Norte, e há 9 meses que não vou ao meu Ceará, hoje tive o prazer de ter um pedacinho desse estado aqui, mesmo estando a quilômetros de distância dele. É que fui a um almoço só de cearense. Agora por falar em reunião de cearense, pense num povo animado e barulhento. Haha. Eis o motivo de eu falar tão alto! Além das pessoas serem cearenses, o cardápio também foi bem tradicional do nosso estado. Galinha caipira e fava que vieram diretamente do Ceará pra cá, com aquela farofa de cuscuz temperada e um arrozinho branco. Minha gente pense num tempero bom esse do povo nordestino e se for cearense então nem se fala. Vi as pessoas repetindo inúmeras vezes e algo que percebi também ser um costume de nossa terra foi à fartura de comida, como dizemos lá. Comida para todos comerem a vontade. Depois de todos estarem alimentados ainda teve a mais tradicional sobremesa. Alfinin (um dos produtos derivados da cana-de-açúcar, feito com mel bem grosso, o qual é puxado até ficar amarelo). Tem coisa mais gostosa nesse mundo? E o melhor de tudo, ainda era vivo (mole). Minha gente essa iguaria cearensês não tem igual. Amo de paixão. Desse jeito, o almoço foi completo. A sensação que tive foi de está em um daqueles almoços na casa da minha vizinha ou de alguém da família, onde todo mundo senta à mesa, come e conversa muito. Agradeço por ter um pouquinho do meu Ceará aqui.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Aprendendo sobre Valor

Numa noite dessas a luz do meu quarto queimou e tive que passar o restante da noite sem energia. Na verdade não apenas o restante da noite, mas alguns longos dias, já que o problema não foi resolvido apenas trocando a lâmpada. Só quem já ficou sem energia em seu próprio quarto durante dias, vai saber na pele o quanto isso é ruim. Foi então que comecei a pensar sobre "valor" e aí percebi que nunca valorizamos o suficiente aquilo que temos sempre à disposição para nos servir de algum modo. Veio-me a mente o quanto não valorizamos coisas simples como a água em nosso banheiro para tomar um banho, a energia elétrica e ainda mais, isso também se aplica nas pessoas, no valor que damos a quem sempre está ali, do nosso lado diariamente.
Pensei nos meus pais. Particularmente no meu caso, que perdi o meu pai há alguns anos, tenho a sensação de que não o valorizei como deveria ou como poderia. Sei que o amei e ainda o amo muito, que sempre lhe obedecia, sempre fiz o que uma boa filha faria, mas isso não apaga a sensação de que poderia ter feito mais, ter falado mais o quanto ele era amado e o quanto me ensinou não com palavras, mas com sua história de vida.
Pensei em meus amigos, naqueles que tive que deixar no Ceará e em Natal (já que não podia trazê-los na mala) a sensação acaba sendo semelhante. Percebi que quando me foi retirado a possibilidade dos reencontros marcados ou até mesmo aqueles que aconteciam naturalmente (na rua, na faculdade ou dentro do ônibus), quando não tenho mais a possibilidade de ir tomar o café da tarde com tapioca com aqueles que faziam as tardes ficarem mais alegres mesmo em uma cidade que não acontecia nada de extraordinário ou quando não tenho a expectativa de fim de férias para ir para casa e rever pessoas tão queridas. QUANDO todas essas possibilidades deixaram de existir foi que percebi como tive (e ainda tenho alguns desses) amigos maravilhosos. O quanto momentos simples, e coisas do dia-dia fazem a nossa vida mais feliz, mais leve, mais fácil. São essas coisas que tenho saudade. E não ter isso nesse momento machuca um pouco, mas também me trás algum aprendizado.
Aprendo que tenho que valorizar o momento e lembrar diariamente de aproveitar o que tenho hoje. Sabe aquela frase bem clichê “aproveite o hoje como se fosse seu último dia”. É isso mesmo. Quando tive que deixar pessoas amadas lá no meu passado, aprendi que tenho que valorizar o que ou quem eu tenho no hoje, porque as pessoas mudam de lugar, (no meu caso eu que mudei) ou morrem (porque o ciclo da vida também tem ponto final) e é necessário que elas saibam o significado que tem na nossa história de vida.  E desta forma espero que com tantas mudanças acontecendo ultimamente em minha vida eu consiga falar e expressar um pouco mais o valor que as pessoas têm em meu dia-dia. 


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Desejos do dia



Hoje acordei querendo que o dia fosse mais leve. Desejando que a luz do quarto voltasse a funcionar, a internet deixasse de cair tanto e a TV deixasse de desligar a cada segundo. Mas na verdade, no fundo o desejo real era está no lugar onde eu conhecesse pessoas, onde pudesse ir e vir sem depender de alguém pra isso. Um lugar onde eu pudesse encontrar amigos numa noite qualquer apenas pra jogar conversa a fora ou jogar uno com minhas vizinhas. Nesses últimos dias venho me perguntando constantemente se toda essa mudança foi acertada. Se não poderia ter sido para outro lugar. Mas esses pensamentos  podem ser apenas o processo de adaptação. Ou não ne? O fato é que já estou presa aqui no mínimo até o fim do próximo ano. E, portanto esse é o meu prazo para me adaptar e gostar de morar aqui. Só espero que eu sobreviva até lá. Pode até parecer exagero. Mas não é. Nem em meus piores sonhos eu pensei que mudar e adaptar-se a um lugar tão diferente fosse tão complicado e difícil. Só me resta enxugar as lágrimas e tentar de algum modo tornar isso mais fácil. Modo esse que ainda não descobri. Mas através da música, de conversas com amigos e escrevendo aqui eu consigo liberar um pouco esse misto de sentimentos que tem me sufocado nesses últimos dias. 

Um dia difícil

Aqui os dias não estão sendo fáceis. Nada parecido com um mar de rosas. Viver sem uma rotina é ruim, mas não ter uma rotina numa cidade que você não conhece ninguém é péssima. Hoje minha paciência foi testada num nível que eu ainda não tinha atingido. Depois de dias sem TV, os caras vieram instalar a antena. Ótimo, agora finalmente temos uma TV. Só que ela está tirando onda com minha cara. Só pode. Agora que finalmente eu poderia deitar e assistir ao que eu quisesse, ela resolve desligar a cada 3 ou 4 minutos. Mas não tem problema, respira fundo e vamos levá-la a autorizada, basta pegar a nota fiscal. Mas... Cadê a bosta da nota fiscal???? Guardo todos os meus papéis, então também a guardei. Não seria imprudente a ponto de não guardar uma nota fiscal. Mas dessa vez foi diferente. Procurei em todo canto até cansar e não a encontrei em lugar nenhum. Somado a isso tem a internet que cai a cada 10 minutos, a luz do quarto que está queimada a uma semana (o problema está na instalação e não apenas numa luz queimada) e além disso, um vizinho sem noção que coloca um som ridículo nas alturas. Sinceramente só aqui mesmo neste fim de mundo pra tudo isso acontecer simultaneamente. Minha cabeça parece que vai explodir, meus olhos insistem em não segurar lágrimas, meu coração fica apertado. É muito sentimento misturado. Saudade, medo, frustração, arrependimento, raiva e uma vontade imensa de sair correndo e chegar em Natal. Amo essa cidade. Amo demais os amigos que deixei. Amar machuca, ainda mais quando o amor é a distância. 

domingo, 20 de setembro de 2015

Desventuras no Norte #1

Hoje a expectativa era para conhecer o tão comentado Balneário Quixito. Meu irmão pegou o carro e lá fomos nós, rumo ao balneário para almoçarmos e quem sabe até tomar banho. Após andarmos um pouco ele percebeu que não sabia o caminho, apesar de já ter ido duas vezes, mas sempre foi com alguém que conhecesse bem o caminho, já que o local é literalmente dentro da mata. Se bem que aqui tem mata em praticamente todo lugar, então um balneário não seria diferente. Sem saber como chegar lá, que tal usarmos o GPS? Isso! Esse aplicativo que nos ajuda a chegar em qualquer lugar. É pra isso que se tem GPS no carro e até no celular. Mas, como sempre meu irmão não quis. Gente teimosa e cabeça dura é osso viu? Tá, então vamos almoçar aonde? Em um restaurante, conhecido pela picanha que servem e que foi indicado por uma amiga aqui da cidade.
Restaurante grande, com dois ambientes (um com ar condicionado e o outro sem) e claro que o com ar condicionado já estava lotado já que era 13h de um domingo. Assim que sentamos fomos muito bem atendidos. Os garçons iam e vinham a todo tempo com todo tipo de entrada, coquetéis e saladas. O cardápio chegou e meu irmão não teve dúvidas que pediria uma picanha, já que lá era o restaurante da picanha (o garçom apenas sugeriu a quantidade de carne para as 4 pessoas que estavam a mesa). Os acompanhamentos chegaram em tempo recorde. Certo, nunca vi um atendimento tão bom e tão rápido. Apesar do arroz ter vindo com brócolis, a comida estava boa e ponto positivo para farinha que era fina (aqui o povo adora uma farinha que mais parece milho de tão grande e dura). Faltava apenas a picanha chegar.
E pouco tempo depois a esperada picanha chegou. Calma! Essa picanha é diferente. Parece mal passada. Particularmente três das quatro pessoas que estavam a mesa não gostam de carne mal passada. Até meu irmão que era o único que gosta, pediu para que deixassem ela um pouco mais no ponto. Alguns minutos depois e lá vem outra picanha. Quase igual. Há algo diferente nessa picanha, ela não é igual a outras que vi ou comi. Meu irmão provou  e estava fria, eu provei e quase vomitei, mas consegui engolir. Que gosto era aquele? Cancela essa picanha, foi o que meu irmão disse depois de colocar pra fora o único pedaço que provou. Depois disso até suco foi derramado na mesa. Os ânimos se alteraram. Que carne ruim era aquela? Picanha né tudo igual não? Minutos depois o gerente veio perguntar se havia algo errado já que não estávamos comendo a picanha. E meu irmão logo foi dizendo que já andou por muitos lugares, mas que picanha daquele jeito ele nunca tinha visto. Após algum tempo de conversa eis que descobrimos o porque dessa picanha ser desse jeito. A picanha era feito no bafo. Gente quem já comeu picanha no bafo? Horrível. E o pior de toda essa história é que lá tinha sim a picanha que conhecemos. Aff. 
Tudo foi um desencontro de informações. O garçom não explicou como era a picanha e nós achamos que só existia uma forma de picanha. Ao chegar em casa, depois de ouvir frases como: “isso não é lugar gente pra comer não”, “se a gente quiser comer algo que presta, compra e faz em casa", “ eu não saio mais de casa pra comer fora”, durante todo o trajeto de volta, percebi que tudo isso nada mais é do que diferença cultural. Os amazonenses estão acostumados a comer picanha no bafo, baião com feijão branco e a tantas outras coisas que ainda não tive a oportunidade de ver ou conhecer, e nós que chegamos a pouco tempo estranhamos e não estamos habituados a comer dessa forma. Isso só mostra a diversidade do nosso Brasil e o quanto amo comida nordestina. Brasileiro é isso, é diferença de cultura, de costumes, de sotaques, de culinária e de gostos e sabores também.