domingo, 20 de setembro de 2015

Desventuras no Norte #1

Hoje a expectativa era para conhecer o tão comentado Balneário Quixito. Meu irmão pegou o carro e lá fomos nós, rumo ao balneário para almoçarmos e quem sabe até tomar banho. Após andarmos um pouco ele percebeu que não sabia o caminho, apesar de já ter ido duas vezes, mas sempre foi com alguém que conhecesse bem o caminho, já que o local é literalmente dentro da mata. Se bem que aqui tem mata em praticamente todo lugar, então um balneário não seria diferente. Sem saber como chegar lá, que tal usarmos o GPS? Isso! Esse aplicativo que nos ajuda a chegar em qualquer lugar. É pra isso que se tem GPS no carro e até no celular. Mas, como sempre meu irmão não quis. Gente teimosa e cabeça dura é osso viu? Tá, então vamos almoçar aonde? Em um restaurante, conhecido pela picanha que servem e que foi indicado por uma amiga aqui da cidade.
Restaurante grande, com dois ambientes (um com ar condicionado e o outro sem) e claro que o com ar condicionado já estava lotado já que era 13h de um domingo. Assim que sentamos fomos muito bem atendidos. Os garçons iam e vinham a todo tempo com todo tipo de entrada, coquetéis e saladas. O cardápio chegou e meu irmão não teve dúvidas que pediria uma picanha, já que lá era o restaurante da picanha (o garçom apenas sugeriu a quantidade de carne para as 4 pessoas que estavam a mesa). Os acompanhamentos chegaram em tempo recorde. Certo, nunca vi um atendimento tão bom e tão rápido. Apesar do arroz ter vindo com brócolis, a comida estava boa e ponto positivo para farinha que era fina (aqui o povo adora uma farinha que mais parece milho de tão grande e dura). Faltava apenas a picanha chegar.
E pouco tempo depois a esperada picanha chegou. Calma! Essa picanha é diferente. Parece mal passada. Particularmente três das quatro pessoas que estavam a mesa não gostam de carne mal passada. Até meu irmão que era o único que gosta, pediu para que deixassem ela um pouco mais no ponto. Alguns minutos depois e lá vem outra picanha. Quase igual. Há algo diferente nessa picanha, ela não é igual a outras que vi ou comi. Meu irmão provou  e estava fria, eu provei e quase vomitei, mas consegui engolir. Que gosto era aquele? Cancela essa picanha, foi o que meu irmão disse depois de colocar pra fora o único pedaço que provou. Depois disso até suco foi derramado na mesa. Os ânimos se alteraram. Que carne ruim era aquela? Picanha né tudo igual não? Minutos depois o gerente veio perguntar se havia algo errado já que não estávamos comendo a picanha. E meu irmão logo foi dizendo que já andou por muitos lugares, mas que picanha daquele jeito ele nunca tinha visto. Após algum tempo de conversa eis que descobrimos o porque dessa picanha ser desse jeito. A picanha era feito no bafo. Gente quem já comeu picanha no bafo? Horrível. E o pior de toda essa história é que lá tinha sim a picanha que conhecemos. Aff. 
Tudo foi um desencontro de informações. O garçom não explicou como era a picanha e nós achamos que só existia uma forma de picanha. Ao chegar em casa, depois de ouvir frases como: “isso não é lugar gente pra comer não”, “se a gente quiser comer algo que presta, compra e faz em casa", “ eu não saio mais de casa pra comer fora”, durante todo o trajeto de volta, percebi que tudo isso nada mais é do que diferença cultural. Os amazonenses estão acostumados a comer picanha no bafo, baião com feijão branco e a tantas outras coisas que ainda não tive a oportunidade de ver ou conhecer, e nós que chegamos a pouco tempo estranhamos e não estamos habituados a comer dessa forma. Isso só mostra a diversidade do nosso Brasil e o quanto amo comida nordestina. Brasileiro é isso, é diferença de cultura, de costumes, de sotaques, de culinária e de gostos e sabores também.

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