terça-feira, 29 de setembro de 2015

Aprendendo sobre Valor

Numa noite dessas a luz do meu quarto queimou e tive que passar o restante da noite sem energia. Na verdade não apenas o restante da noite, mas alguns longos dias, já que o problema não foi resolvido apenas trocando a lâmpada. Só quem já ficou sem energia em seu próprio quarto durante dias, vai saber na pele o quanto isso é ruim. Foi então que comecei a pensar sobre "valor" e aí percebi que nunca valorizamos o suficiente aquilo que temos sempre à disposição para nos servir de algum modo. Veio-me a mente o quanto não valorizamos coisas simples como a água em nosso banheiro para tomar um banho, a energia elétrica e ainda mais, isso também se aplica nas pessoas, no valor que damos a quem sempre está ali, do nosso lado diariamente.
Pensei nos meus pais. Particularmente no meu caso, que perdi o meu pai há alguns anos, tenho a sensação de que não o valorizei como deveria ou como poderia. Sei que o amei e ainda o amo muito, que sempre lhe obedecia, sempre fiz o que uma boa filha faria, mas isso não apaga a sensação de que poderia ter feito mais, ter falado mais o quanto ele era amado e o quanto me ensinou não com palavras, mas com sua história de vida.
Pensei em meus amigos, naqueles que tive que deixar no Ceará e em Natal (já que não podia trazê-los na mala) a sensação acaba sendo semelhante. Percebi que quando me foi retirado a possibilidade dos reencontros marcados ou até mesmo aqueles que aconteciam naturalmente (na rua, na faculdade ou dentro do ônibus), quando não tenho mais a possibilidade de ir tomar o café da tarde com tapioca com aqueles que faziam as tardes ficarem mais alegres mesmo em uma cidade que não acontecia nada de extraordinário ou quando não tenho a expectativa de fim de férias para ir para casa e rever pessoas tão queridas. QUANDO todas essas possibilidades deixaram de existir foi que percebi como tive (e ainda tenho alguns desses) amigos maravilhosos. O quanto momentos simples, e coisas do dia-dia fazem a nossa vida mais feliz, mais leve, mais fácil. São essas coisas que tenho saudade. E não ter isso nesse momento machuca um pouco, mas também me trás algum aprendizado.
Aprendo que tenho que valorizar o momento e lembrar diariamente de aproveitar o que tenho hoje. Sabe aquela frase bem clichê “aproveite o hoje como se fosse seu último dia”. É isso mesmo. Quando tive que deixar pessoas amadas lá no meu passado, aprendi que tenho que valorizar o que ou quem eu tenho no hoje, porque as pessoas mudam de lugar, (no meu caso eu que mudei) ou morrem (porque o ciclo da vida também tem ponto final) e é necessário que elas saibam o significado que tem na nossa história de vida.  E desta forma espero que com tantas mudanças acontecendo ultimamente em minha vida eu consiga falar e expressar um pouco mais o valor que as pessoas têm em meu dia-dia. 


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