Numa noite dessas a luz do
meu quarto queimou e tive que passar o restante da noite sem energia. Na
verdade não apenas o restante da noite, mas alguns longos dias, já que o
problema não foi resolvido apenas trocando a lâmpada. Só quem já ficou sem
energia em seu próprio quarto durante dias, vai saber na pele o quanto isso é
ruim. Foi então que comecei a pensar sobre "valor" e aí percebi que
nunca valorizamos o suficiente aquilo que temos sempre à disposição para nos
servir de algum modo. Veio-me a mente o quanto não valorizamos coisas simples
como a água em nosso banheiro para tomar um banho, a energia elétrica e ainda
mais, isso também se aplica nas pessoas, no valor que damos a quem sempre está
ali, do nosso lado diariamente.
Pensei nos meus pais.
Particularmente no meu caso, que perdi o meu pai há alguns anos, tenho a
sensação de que não o valorizei como deveria ou como poderia. Sei que o amei e
ainda o amo muito, que sempre lhe obedecia, sempre fiz o que uma boa filha
faria, mas isso não apaga a sensação de que poderia ter feito mais, ter falado
mais o quanto ele era amado e o quanto me ensinou não com palavras, mas com sua
história de vida.
Pensei em meus amigos,
naqueles que tive que deixar no Ceará e em Natal (já que não podia trazê-los na
mala) a sensação acaba sendo semelhante. Percebi que quando me foi retirado a
possibilidade dos reencontros marcados ou até mesmo aqueles que aconteciam
naturalmente (na rua, na faculdade ou dentro do ônibus), quando não tenho mais
a possibilidade de ir tomar o café da tarde com tapioca com aqueles que faziam
as tardes ficarem mais alegres mesmo em uma cidade que não acontecia nada de
extraordinário ou quando não tenho a expectativa de fim de férias para ir para
casa e rever pessoas tão queridas. QUANDO todas essas possibilidades deixaram
de existir foi que percebi como tive (e ainda tenho alguns desses) amigos
maravilhosos. O quanto momentos simples, e coisas do dia-dia fazem a nossa vida
mais feliz, mais leve, mais fácil. São essas coisas que tenho saudade. E não
ter isso nesse momento machuca um pouco, mas também me trás algum aprendizado.
Aprendo
que tenho que valorizar o momento e lembrar diariamente de aproveitar o que
tenho hoje. Sabe aquela frase bem clichê “aproveite o hoje como se fosse seu
último dia”. É isso mesmo. Quando tive que deixar pessoas amadas lá no meu
passado, aprendi que tenho que valorizar o que ou quem eu tenho no hoje, porque
as pessoas mudam de lugar, (no meu caso eu que mudei) ou morrem (porque o ciclo
da vida também tem ponto final) e é necessário que elas saibam o significado
que tem na nossa história de vida. E desta forma espero que com tantas
mudanças acontecendo ultimamente em minha vida eu consiga falar e expressar um
pouco mais o valor que as pessoas têm em meu dia-dia.

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