Hoje acordei e apesar de ser Natal,
achei que seria mais um dia comum, já que aqui em casa (não na casa física),
mas na minha família nunca foi de ter festa nessa ou em qualquer outra época.
Nunca fomos de trocar presentes, nem mesmo em dias de aniversário (e sinceramente
acho isso bastante estranho, mas acho que sou acomodada e quase sempre deixo
passar sem fazer muita coisa pra mudar isso). A questão é que hoje ao entrar na
cozinha pra tomar o café da manhã fui surpreendida com um "feliz
natal" do meu irmão. Sim, ele mesmo! Que raramente sequer troca abraços
comigo (na verdade não lembro de nenhum abraço), que raras vezes me parabenizou
por meu aniversário, não porque não goste de mim (porque sei que ele gosta),
mas por não ser típico do jeito dele. Desejei também "feliz natal"
com aquela brincadeira de bater as mãos abertas uma na outra e depois com elas
fechadas.
Ao final da tarde saímos para passear e
mais uma vez ele me surpreendeu, querendo tirar fotos. Quem o conhece, ou
melhor, quem o conhecia sabe que ele nunca gostou de fotos e é por isso que há
alguns dias atrás eu não tinha sequer uma foto dele no meu celular pra mostrar
as pessoas quando digo que ele é fisicamente o oposto de mim. Hoje já tenho
algumas fotos com ele.
Mas, a maior surpresa foi quando eu
estava sentada vendo TV no quarto dele e ele pediu pra que eu fizesse cafuné
nele. Oi? Ele deitou, fiz o cafuné durante alguns minutos e pouco depois ele
adormeceu. Depois que sai do quarto foi inevitável não lembrar do meu pai. Ele
sempre me pedia pra fazer cafuné nele, pra adormecer assim. E sempre dizia:
"esse cafuné vai sair caro né nega?". Lembrar disso não me deixou
triste, mas feliz por saber que ainda consigo lembrar de coisas que vivi com
ele. E espero que o tempo seja generoso o suficiente pra não me deixar esquecer
de lembranças tão boas.
Então foi esse o meu Natal. Apesar da
ausência de presentes físicos, acho que ganhei dois que valeram bem mais.
Uma lembrança de meu pai e a aproximação com meu irmão.


