segunda-feira, 15 de julho de 2019

Uma dor chamada saudade

Alguém já descobriu como deixar de amar? 
Como deixar de pensar na pessoa, na rotina que tínhamos, nos dias que inventávamos de cozinhar algo rápido ou até mesmo nos arriscar nas receitas da internet. Como posso esquecer os dias que saíamos para almoçar fora e que era um do meus programas favoritos. Como apagar da memória os momentos de brigas em que ao deitar para dormir você apenas me abraçava e tentava de alguma forma se reconciliar. As noites são as piores. Dormir sozinha, sem um boa noite e acordar sem um bom dia, tem de alguma forma me matado pouco a pouco. Como se esquece de todos os dias em que você me pedia para fazer seu bolo de chocolate com prestígio e que desde aquele dia 24 eu não consegui mais fazer nenhum. 
A verdade é que tenho andado bem pouco na cozinha. Sabe aquele prazer por cozinhar? Parece que ele foi embora junto com você. Como é que consigo me arrumar aos domingos para ir a igreja e não ter você para dividirmos o espelho, para me dizer qual das duas ou três roupas que estou em dúvida ficou melhor e para me dizer o quanto estou bonita. Agora não sinto mais aquela ansiedade de chegar em casa e talvez ver uma moto estacionada na calçada de casa. Não tenho mais que separar suas roupas do trabalho para lavar para que no domingo a noite elas estivessem secas.
A verdade é que nunca cogitei que um término doeria tanto fisicamente falando. Meu coração aperta, as dores de cabeça são quase que diárias, as lágrimas insistem em me visitar praticamente todos os dias. E o pior de tudo não é simplesmente a ausência. É saber que pensando de forma racional é impossível darmos certo hoje. Ou talvez até mesmo algum dia. 
Mas sabe a saudade? Como ela é cruel! Como ela vem de forma avassaladora sem nem sequer pedir licença. Ela tem sido minha companheira mesmo eu tentando expulsá-la diariamente. Ela tem insistido em ficar. E é quem eu encontro sempre que chego em casa. É ela que está comigo quando penso em sair para almoçar aos domingos, é ela que está comigo quando planejo ir a banhos que também nunca mais fui. Ah que loucura tudo isso. Além do mais não é apenas a saudade. Tem tantas outras questões em jogo não é? Mas hoje não queria falar de mais nada. Só dessa maldita saudade que não me deixa de jeito nenhum.

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