Alguns dias atrás
estava tentando estudar e de repente o vizinho começou a ouvir essa música.
Automaticamente o filme veio a minha mente. Os anos de 2008 a 2010. E junto com
as lembranças a certeza de que foi a melhor experiência que tive em minha vida –
até hoje.
Morei em um colégio
interno enquanto cursava o ensino médio e um curso técnico (o qual não me
serviu pra nada. Kkkk). Mas mesmo com um curso técnico que não me somou
intelectualmente ou profissionalmente, a experiência, as lembranças e o
crescimento que tive como pessoa fez todo o diferencial em minha vida. Cresci
como pessoa, percebi que o mundo era bem mais que o conforto de minha casa e a
segurança de meus pais. Criei amigos pra vida inteira. Lembro que no primeiro
dia quando cheguei na residência feminina que carinhosamente chamávamos de casinha
rosa (porque era a cor dela na época) fui conhecer o meu quarto que iria
dividir com mais 9 meninas (5 beliches) e o refeitório que era comum as 50
internas – 50 meninas morando juntas 24 horas durante 3 anos (exceto alguns
finais de semana em que íamos pra casa ou pra casa das outras) e na hora pensei
que seria difícil aprender o percurso do quarto ate o refeitório, achei longe
(coisa de gente matuta mesmo), quando na verdade era apenas uma reta – hahaha.
Quando me pego pensando
nas experiências que tive, as viagens técnicas que fizemos, as aulas que eram
manhã e tarde. O lugar que sempre sentava na sala. As aulas de geografia que
eram com o melhor professor que já tivemos. O tio de português que era um amor
em pessoa (sabe aqueles príncipes? Super educado), a professora Luzia de
português que só sabia copiar no quadro e que sempre pensamos em roubar o papel
(a cola dela) que ela trazia e copiava folhas e mais folhas no quadro – sem o
papel ela não saberia dá aula haha. A tia Lucineide, a mulher mais linda que
conheci (interiormente e exteriormente), o seu marido Professor de Metodologia
conhecido como o coroa (sempre nos chamava: e aí coroa?), quem é que gosta
dessa matéria gente? Mas ele conseguiu ministrá-la de um modo menos chato
possível. Esse casal de professores é excepcional. Foram tantos professores que
marcaram a história quem nem dá pra falar de todos.
Lembro das escalas pra
limpar o refeitório, o lavabo, as escalas de geral da quarta a noite (em que
tínhamos que limpar todo o alojamento), as escalas do quarto ( uma dupla por
dia – uma pra o quarto e outra pra o banheiro). As vezes que nos escondíamos
debaixo dos beliches para não irmos pra uma aula chata à tarde. Ou então quando
íamos e em vez de subirmos as escadas pra irmos a aula ficávamos nas escadas
conversando, fazendo chapinha, ou então íamos para casa de uma aluna externa que
morava numa republica de estudantes só pra assistirmos a sessão da tarde. Os
filmes de fim de semana que podíamos alugar (eram 3 e sempre tinha aquela briga
pra escolher qual seria). A hora do repeteco (tinha fila pra repetir a comida),
quando era lasanha, batata frita. Dormir na noite anterior já com a roupa de
educação física pra dormir um pouco mais (quem iria tomar banho pra fazer
educação física ne?). Lembro da mesa das Iraps (a mesa que sentamos no
refeitório por 3 anos), das filas pra o banho, já que eram dois chuveiros e 10
meninas no mesmo quarto. Das noites que sentávamos nas beliches e começávamos a
escrever nossos nomes com caneta e corretivo nas grades das camas pra deixarmos
a nossa historia marcada de alguma forma. Lembro das noites que virávamos estudando
e enquanto isso a Rafinha passava a noite elaborando a cola de história (que
era um livrinho) e que no outro dia iria passar pela mão de todos da turma. Das
noites que deixamos a janela da cozinha aberta, pra invadirmos na madrugada e
comer alguma coisa gostosa que tivesse lá dentro (alegria quando tinha doce de
leite ou leite condensado- haha). Ou quando íamos tarde da noite pra cozinha
experimental fazermos vários pacotes de miojo (todo mundo juntava os seus
miojos). Da “porcaria” nome da comida preferida pra matar a fome enquanto
esperávamos a próxima refeição (feita com leite em pó, nescau, bolacha cream
cracker quebradas em pedaços e água – tudo misturado num copo e cada uma com
sua colher na mão pra atacar), parece gororoba, mas ficava muito bom – juro!. E
quando faltava um ingrediente saíamos nos outros quartos gritando perguntando quem tinha. E sempre
tinha alguém, afinal nossos armários, apesar de terem um espaço pequeno, mas
cabia: roupa, comida, material escolar, sapato e ainda a mini feira que cada
uma trazia depois de um fim de semana em casa.
E é por essas historias
e tantas outras que abro um sorriso em meio as lágrimas de saudade, sabendo que
vivi um dos melhores tempos de minha vida. Como sempre dizíamos lá é a Escola
da vida. Na época que estudei na EAFI, hoje IFCE – Iguatu, fiz amizades pra
vida inteira, convivi com pessoas que embora eu não tenha contato hoje devido a
várias circunstâncias da vida, sei que quando reencontrá-las será o mesmo
carinho e amor e sentaremos por horas pra saber uma da vida da outra. Amizade
daquelas que não importa o tempo, ela sempre existirá. Agradeço demais a Deus e
a vida por essa experiência e também agradeço por não ter tanta tecnologia
naquela época. Não era a época dos conectados, do whatssapp. Era a época do
Orkut e Msn, da Lan House. Ou seja, foi tempo que as pessoas conversam
pessoalmente, riam, brincavam e aproveitavam o momento.
Sempre que escuto essa
música penso na minha turma do ensino médio, afinal essa música marcou todas as
turmas que saíam, que se despendiam depois de 3 anos de convivência diária. E
hoje sei que essa musica é algo que eu sinto depois de tantas reviravoltas em
minha vida.
Mudaram as estações
Nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente chegou a um dia acreditar
Que tudo era pra sempre, sem saber
Que o pra sempre, sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso eu alguém, só penso em vocês
E ai então, estamos bem
Nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente chegou a um dia acreditar
Que tudo era pra sempre, sem saber
Que o pra sempre, sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso eu alguém, só penso em vocês
E ai então, estamos bem
Espero que possamos nos
reencontrar pelas esquinas da vida. Afinal amigos são pra vida inteira, não
importa o tempo que passar, certo? Um beijo enorme a quem tanto me ensinou e me
fez bem, a vocês VET’s 2010 e a essa escola que acima de tudo, ensina pra vida.

