quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Lembranças da época de Eafi

Alguns dias atrás estava tentando estudar e de repente o vizinho começou a ouvir essa música. Automaticamente o filme veio a minha mente. Os anos de 2008 a 2010. E junto com as lembranças a certeza de que foi a melhor experiência que tive em minha vida – até hoje.
Morei em um colégio interno enquanto cursava o ensino médio e um curso técnico (o qual não me serviu pra nada. Kkkk). Mas mesmo com um curso técnico que não me somou intelectualmente ou profissionalmente, a experiência, as lembranças e o crescimento que tive como pessoa fez todo o diferencial em minha vida. Cresci como pessoa, percebi que o mundo era bem mais que o conforto de minha casa e a segurança de meus pais. Criei amigos pra vida inteira. Lembro que no primeiro dia quando cheguei na residência feminina que carinhosamente chamávamos de casinha rosa (porque era a cor dela na época) fui conhecer o meu quarto que iria dividir com mais 9 meninas (5 beliches) e o refeitório que era comum as 50 internas – 50 meninas morando juntas 24 horas durante 3 anos (exceto alguns finais de semana em que íamos pra casa ou pra casa das outras) e na hora pensei que seria difícil aprender o percurso do quarto ate o refeitório, achei longe (coisa de gente matuta mesmo), quando na verdade era apenas uma reta – hahaha.
Quando me pego pensando nas experiências que tive, as viagens técnicas que fizemos, as aulas que eram manhã e tarde. O lugar que sempre sentava na sala. As aulas de geografia que eram com o melhor professor que já tivemos. O tio de português que era um amor em pessoa (sabe aqueles príncipes? Super educado), a professora Luzia de português que só sabia copiar no quadro e que sempre pensamos em roubar o papel (a cola dela) que ela trazia e copiava folhas e mais folhas no quadro – sem o papel ela não saberia dá aula haha. A tia Lucineide, a mulher mais linda que conheci (interiormente e exteriormente), o seu marido Professor de Metodologia conhecido como o coroa (sempre nos chamava: e aí coroa?), quem é que gosta dessa matéria gente? Mas ele conseguiu ministrá-la de um modo menos chato possível. Esse casal de professores é excepcional. Foram tantos professores que marcaram a história quem nem dá pra falar de todos.
Lembro das escalas pra limpar o refeitório, o lavabo, as escalas de geral da quarta a noite (em que tínhamos que limpar todo o alojamento), as escalas do quarto ( uma dupla por dia – uma pra o quarto e outra pra o banheiro). As vezes que nos escondíamos debaixo dos beliches para não irmos pra uma aula chata à tarde. Ou então quando íamos e em vez de subirmos as escadas pra irmos a aula ficávamos nas escadas conversando, fazendo chapinha, ou então íamos para casa de uma aluna externa que morava numa republica de estudantes só pra assistirmos a sessão da tarde. Os filmes de fim de semana que podíamos alugar (eram 3 e sempre tinha aquela briga pra escolher qual seria). A hora do repeteco (tinha fila pra repetir a comida), quando era lasanha, batata frita. Dormir na noite anterior já com a roupa de educação física pra dormir um pouco mais (quem iria tomar banho pra fazer educação física ne?). Lembro da mesa das Iraps (a mesa que sentamos no refeitório por 3 anos), das filas pra o banho, já que eram dois chuveiros e 10 meninas no mesmo quarto. Das noites que sentávamos nas beliches e começávamos a escrever nossos nomes com caneta e corretivo nas grades das camas pra deixarmos a nossa historia marcada de alguma forma. Lembro das noites que virávamos estudando e enquanto isso a Rafinha passava a noite elaborando a cola de história (que era um livrinho) e que no outro dia iria passar pela mão de todos da turma. Das noites que deixamos a janela da cozinha aberta, pra invadirmos na madrugada e comer alguma coisa gostosa que tivesse lá dentro (alegria quando tinha doce de leite ou leite condensado- haha). Ou quando íamos tarde da noite pra cozinha experimental fazermos vários pacotes de miojo (todo mundo juntava os seus miojos). Da “porcaria” nome da comida preferida pra matar a fome enquanto esperávamos a próxima refeição (feita com leite em pó, nescau, bolacha cream cracker quebradas em pedaços e água – tudo misturado num copo e cada uma com sua colher na mão pra atacar), parece gororoba, mas ficava muito bom – juro!. E quando faltava um ingrediente saíamos nos outros quartos  gritando perguntando quem tinha. E sempre tinha alguém, afinal nossos armários, apesar de terem um espaço pequeno, mas cabia: roupa, comida, material escolar, sapato e ainda a mini feira que cada uma trazia depois de um fim de semana em casa.  
E é por essas historias e tantas outras que abro um sorriso em meio as lágrimas de saudade, sabendo que vivi um dos melhores tempos de minha vida. Como sempre dizíamos lá é a Escola da vida. Na época que estudei na EAFI, hoje IFCE – Iguatu, fiz amizades pra vida inteira, convivi com pessoas que embora eu não tenha contato hoje devido a várias circunstâncias da vida, sei que quando reencontrá-las será o mesmo carinho e amor e sentaremos por horas pra saber uma da vida da outra. Amizade daquelas que não importa o tempo, ela sempre existirá. Agradeço demais a Deus e a vida por essa experiência e também agradeço por não ter tanta tecnologia naquela época. Não era a época dos conectados, do whatssapp. Era a época do Orkut e Msn, da Lan House. Ou seja, foi tempo que as pessoas conversam pessoalmente, riam, brincavam e aproveitavam o momento.
Sempre que escuto essa música penso na minha turma do ensino médio, afinal essa música marcou todas as turmas que saíam, que se despendiam depois de 3 anos de convivência diária. E hoje sei que essa musica é algo que eu sinto depois de tantas reviravoltas em minha vida.
Mudaram as estações
Nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente chegou a um dia acreditar
Que tudo era pra sempre, sem saber
Que o pra sempre, sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso eu alguém, só penso em vocês
E ai então, estamos bem

Espero que possamos nos reencontrar pelas esquinas da vida. Afinal amigos são pra vida inteira, não importa o tempo que passar, certo? Um beijo enorme a quem tanto me ensinou e me fez bem, a vocês VET’s 2010 e a essa escola que acima de tudo, ensina pra vida. 

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